Por um instante olhei para traz

Por um instante olhei para traz…
O ano que passou eu só ganhei um conto
Este ano quero ver se ganho dois
E se não der para comprar castanhas
Vou garantir o meu feijão com arroz
Vamos dar adeus ao ano velho
E cumprimentar o ano novo
Pedindo felicidade e prosperidade para o povo
Boa noite ano velho, bom dia ano novo!

Desde criança lembro-me de cantar esta canção nas viradas de ano que eram feitas lá em casa. Não sei de quem era ou cantava, acho que os Demônios da Garoa, mas meu pai como gostava de música e era possuidor de uma voz belíssima, nos ensinou. Ao som de seu violão formava o mais lindo coral improvisado que já conheci: seus nove filhos e mais os agregados que quisessem, naquele momento de alegria, participar da nossa festa de final de ano.

Nosso repertório era grande, mas esta canção foi uma das marcas que ficou para sempre. Não faltava a tradicional Adeus ano Velho, Adestes Fideles, as de Carnaval e as italianas cantadas pela nossa saudosa Maria Italiana, sempre presente nesta data. Não posso deixar de registrar outra que também marcou nossa infância nesta época, era o Ceuzinho, cantávamos em duas vozes com o grupo das meninas e dos meninos, ficava até que afinado e muito bonito e apesar de ser tudo improvisado a plateia sempre pedia bis.

Depois de comemorarmos em casa era de costume sair nas ruas e levar nossa alegria para as casas dos vizinhos e assim íamos pela madrugada esticando estes saudáveis momentos até o sinal vermelho de meu pai. Enquanto éramos crianças e adolescentes a festa de final de ano era assim: musical, alegre, participativa, festiva, saudável e de muitas guloseimas que minha mãe preparava.

O tempo passou e as mudanças vieram. Muitos casamentos, novos agregados, e com os novos núcleos formados, por muitos anos fizemos a virada na casa de minha irmã Bernadete, que teve um fim com sua mudança para o Rio de Janeiro.

Com as novidades que iam acontecendo ao longo da nossa vida, lembro-me de muitos dos nossos finais de ano na casa de Peruíbe. Quantas vezes nas viradas saíamos com o Sinkler ao violão e pelas ruas do lugarejo levávamos nossas músicas, fazendo com que muitos se juntassem ao nosso grupo que terminava lá na praia, onde fazíamos nossos pedidos para o ano que se iniciava com os tradicionais pulinhos nas ondas do mar.

Hoje, com a formação de terceira geração das famílias, tudo ficou mais disperso e a comemoração da virada tem sido bem diversificada, mas sempre que possível procuro reunir os irmãos e por um instante olhar para traz, e de volta ao passado revivo nosso coral infantil, as andanças pelas ruas na madrugada, nossos brindes e por tantas alegrias espalhadas e compartilhadas. Neste momento em que mais um ano está prestes a começar, convido a todos a um brinde de amor, de amizade e de muita saúde.

Que 2013 venha com muito mais sonhos, mais alegrias e muito mais paz. Feliz Ano Novo!

E-mail: [email protected]