Qualquer serviço que se solicite por telefone em São Paulo, é praxe a/o atendente pedir um ponto de referência para localização; não fosse assim, ficaria difícil localizar pontos distantes dessa cidade tão grande e diversificada, com ruas, avenidas e bairros que tem o mesmo nome.
Não foi diferente conosco; quer dizer, mais ou menos. Estávamos passando pelo centro da cidade quando nosso carro teve uma pane elétrica e não andava nem com reza brava. Meu marido acionou o seguro por telefone e a atendente, após confirmar alguns dados cadastrais, travou com meu marido o seguinte diálogo:
– O senhor fala de onde?
– De São Paulo – respondeu ele.
– Qual a localização do veículo, senhor?
– Praça João Mendes, sentido Rua Tabatinguera.
– Ponto de referência, senhor?
Já estranhando o rumo que a prosa ia tomando, pacientemente meu marido respondeu:
– Centro de São Paulo, em frente ao fórum João Mendes, Praça João Mendes.
– Senhor, preciso de um ponto de referência. Altura de que rua, travessa de onde, em que altura dessa Praça o senhor está…
Nesse ponto, qualquer interlocutor faria a seguinte pergunta que meu marido fez:
– Minha filha, você não conhece a Praça João Mendes no centro da cidade de São Paulo, a alguns metros do marco zero da cidade, que é na Praça da Sé?
– Não senhor, eu estou em Recife e atendo as chamadas daqui. Ponto de referência, senhor?
O diálogo, a partir daí, foi surreal, pois não tínhamos mais ponto de referência para dar à criatura e ela se recusava a fechar nosso chamado com aqueles dados, que, segundo ela, eram insuficientes para a localização do veículo. Argumentamos que, ao repassar a chamada para o socorro mecânico de São Paulo, a pessoa saberia onde estávamos, mas foi difícil a moça aceitar nosso argumento; enfim, algumas descargas de adrenalina depois, muita saliva desperdiçada e um quase assalto, pela falta de movimentação no local, pois era tarde da noite, ouvimos a frase que soou como uma música aos nossos ouvidos:
– Vamos “estar providenciando” o socorro mecânico, senhor; “pode estar aguardando” no local.
Pensamos em dizer que desceríamos um pouco para a Rua Tabatinguera, a fim de evitar algum incidente ou até congestionamento, pois, apesar do horário, era centro da cidade e, sabe como é, nunca se sabe quando o trânsito vai aumentar nesses locais, mas achamos melhor não mover uma vírgula em relação à localização, senão… Lá viria um novo pedido de ponto de referência!
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