Minha primeira despesa com cartão de crédito

O ano era 1970 e eu trabalhava na Sears do Shopping Iguatemi, e recebemos a visita de um vendedor que me ofereceu um cartão de crédito que somente era aceito em restaurantes; chamava Gourmet Club, sua cor era bege com marrom e tinha como logomarca o chapéu de um pizzaiolo.

Não sabia como aquilo funcionava e não acreditei muito quando o vendedor garantiu que era só encontrar um restaurante que tivesse essa logomarca na porta que eu poderia almoçar ou jantar e não precisava pagar em espécie, era só apresentar o dito cartão.

Como não tinha vida social que me desse o luxo de almoçar em restaurantes, visto que almoçava na Sears e jantava em casa, guardei o mesmo na carteira.

Um dia tive que fazer não sei o que na Sears do Paraíso (onde hoje é o Shopping Paulista) e na hora do almoço resolvi dar uma volta nas ruas da região, quando me defronto a um restaurante que tinha o raio da logomarca, que eu até então nunca tinha visto em lugar nenhum. Pensei, um pouco receoso, se o vendedor estava falando a verdade e resolvi entrar. O restaurante era o mais luxuoso que até então eu tinha frequentado: era o Don Frabizio, na Alameda Santos.

Pedi um filé com fritas e uma Coca-Cola; almocei como um marajá, nunca tinha comido nada parecido. Pedi como sobremesa um pudim delicioso. Eu tinha na carteira o dinheiro trocado só para o ônibus de volta.

Veio a conta, que era quase o valor da minha quinzena como Estoquista. Apreensivo, pensei: “E se eles não aceitarem o cartão?”. Nervoso, com a comida já me fazendo mal, apresento o cartão para pagamento.

Para minha surpresa e alegria, o garçom voltou com um boleto e pediu só minha assinatura; agradeceu minha visita e pediu para eu voltar.

Quase não acreditei! Saí aliviado e agradecido por ter um cartão de crédito, mesmo que só servisse em restaurantes de alta classe, que, diga-se de passagem, demorei um tempo para voltar a frequentar.

E-mail: [email protected]