Playcenter, um sonho de ludicidade que termina

Durante 40 anos, fundado em 1973, esse centro de lazer levou milhões de pessoas ao seu recinto, em excursões de escolas, empresas e em grupos de amigos, para um lazer nunca visto antes na cidade. Tornou-se um dos maiores parques de diversões da América Latina, localizado na Marginal Tietê, no bairro da Barra Funda.<br><br>Eu, como milhões de paulistanos, paulistas e turistas de outros estados e até outros países, estive nesse parque, que foi referência em termos de diversão e ponto turístico da cidade. Neste ano, está deixando de funcionar na sua essência para voltar como parque de diversão mais voltado à criança, deixando um marco de saudade que será contado por todos durante muito tempo.<br><br>De qualquer forma, serão inesquecíveis algumas idas a esse local, nunca esqueceremos os divertimentos de quando éramos solteiros, depois, com a esposa, filhos e amigos nos inesquecíveis sábados, principalmente. Quando foi inaugurado tinha pouco mais de 20 anos, portanto, cheio de vontade por essa novidade de divertimento; e marcou profundamente a vida da maioria de seus frequentadores, um verdadeiro sonho, onde o dia passava tão rápido que não se sentia.<br><br>Para conseguir usufruir bem de seus brinquedos tinha que chegar a primeira hora e ficar até a noite e assim mesmo não dava para andar em todos os equipamentos. Não dá para esquecer-se da roda gigante, barco viking, castelo dos horrores, carrossel, jumbo, splash, autopista, evolution, animal world, cama elástica, chapéu mexicano, enterprise e muitos outros mais modernos como looping, turbo drop que não cheguei a conhecer, apenas de citação em propaganda ou pelos filhos.<br><br>Quantos namoros não começaram ali, principalmente nos escurinhos do castelo, no medo de certos brinquedos, onde as meninas se agarravam nos meninos. Fui a esse parque umas três vezes apenas, mas o suficiente para alto divertimento, apesar de muita alegria, tinha que ter muita paciência em esperar por uma diversão, certos brinquedos tinha que esperar até 5h de fila, tal era a concorrência. Devido a isso, íamos a brinquedos menos concorridos para aproveitar o ingresso, para usar os mais assediados voltávamos outro fim de semana. Depois que os filhos cresceram começaram a ir sozinhos, com amigos, namoradas e/ou grupo de escolas.<br><br>O que mais me marcou nesse parque foi quando estive em uma das vezes com os colegas em um brinquedo chamado enterprise, parece que foi desativado para entrar outro mais moderno, não posso deixar de lembrar que me ajustei na cadeira, prendi o cinto e o aparelho começou a subir, a rodopiar e sobe e desce e gira, via a cidade de cabeça para baixo, de lado, sentia meu rosto deformado pela força centrifuga dos movimentos, sentia-me um joguete ali, impotente, muito barulho, gritaria… Depois de algum tempo, quando parou a "viagem", sai tropeçando e mais branco que vela. Parecia que o sangue tinha sumido do meu corpo, com a preocupação de alguns e zombaria de outros, não sei se me divertia ou sentia medo, foram minutos alucinantes. Naquele "brinquedo" não vou mais, pensei.<br><br>Tempos depois me contaram que lá surgiram novos brinquedos mais radicais como o turbo drop, looping e outros, para quem tem sangue frio e é corajoso. Depois disso fiquei sem frequentar, mesmo porque já maduro e sem paciência pela espera; e era um local predominantemente de jovens. Mas, com certeza vai deixar saudades imensas, e São Paulo perde em tudo com a falta desse parque em termos de turismo principalmente e automaticamente cai a arrecadação municipal em impostos, pois se trata de um dos maiores centros de entretenimento do Brasil e América Latina. <br><br>Esse episódio é um corte, uma perda nesse setor, apesar de que deve voltar as atrações só para o público infantil em 2013. Enfim, marcou várias gerações e fica doravante nas lembranças e nas histórias dos novos velhos de uma cidade que não para de crescer e se modificar; na realidade nada acaba, apenas se transforma.<br><br><br>E-mail: [email protected]