Pinheiros e seus eucaliptos

No final dos anos 60 os meus tios Domingos e Laura foram morar em Pinheiros. Foi uma grande novidade para mim, que nas costumeiras férias de julho ou janeiro, impreterivelmente ia para São Paulo, com minha mãe e meu irmão para rever os parentes.

E lá fomos nós saudá-los na nova residência. Pegamos o ônibus e seguimos caminho por muitas avenidas, até que ao subirmos diversas ladeiras, bem altaneiras e verdes e nos deparamos com a ampla casa, que podíamos avistar de uma esquina. Subimos uma pequena escadaria e logo entramos por um amplo, bem cuidado, arborizado e florido quintal.

Fiquei fascinada pela paisagem e pelo perfume agradável que comecei a sentir, indaguei logo a minha tia Laura sobre o assunto e ela nos relatou que na região era muito comum em cada quintal o morador (a) possuir um pé da aromática planta. Até a hora do almoço eu, meu irmão e os netos de minha querida tia brincamos e apreciamos o fabuloso quintal. Eram pés de roseiras, margaridas, parreiras repletas de uvas verdes ou rosadas, goiabeiras, limoeiros, pés de cravos, abacateiros, pés de dálias, erva-cidreira, capim-limão, amoreiras e pinheiros de diversos tamanhos.

Uma grandiosa variedade de rica natureza em frutos e flores, diante de nós. Que privilégio e oportunidade! Diante de nós estavam também canteiros bem cuidados de temperos caseiros, que podíamos apreciar em uma pequena horta. Para as crianças foi construído um balanço seguro e colorido, bem disputado. Tio Domingos, risonho e rosado, chegava sempre de repente e nos pregava um pequeno susto, nos chamando para o almoço.

Em uma comprida mesa ao ar livre, saboreávamos o delicioso almoço: o famoso nhoque da tia Laura, acompanhado de bracholas, macarronada ao sugo, arroz de forno, saladas verdes, maionese e, como não poderia faltar, sobremesas. E que espetáculo de sobremesas, diga-se de passagem: arroz doce com raspas de limão, doce de abóbora com queijo de Minas, pudim de leite, brigadeiros mesclados e a insuperável gelatina Rei Alberto coberta de camadas repletas de delícias e de cores.

Após a farta refeição, entrávamos para descansar um pouco nas dependências da confortável casa. Os adultos costumavam jogar truco ou “rouba monte” e as crianças ouviam deitadas em um grande tapete, histórias e contos, contadas em discos na vitrola.

Depois de algum tempo voltávamos às brincadeiras e passeios no quintal, onde passávamos lindas e inesquecíveis tardes de feriados e domingos. De volta à Bela Vista, onde ficávamos hospedados, podíamos,caminhando pelas redondezas, aspirar novamente aquele doce de perfume de eucaliptos, que jamais esqueceremos, assim como os nossos queridos e saudosos tios: Domingos e Laura. Bons tempos aqueles!

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