Na juventude nosso divertimento era dançar. Todos os domingos o bailinho era em um clube diferente, uns eram a tarde e outros á noite. Como não poderia deixar de ser, esses eventos se davam na velha e amada Vila Hamburguesa, meu reduto antigo. Os clubes eram esportivos, mas promoviam a seus sócios esse tipo de entretenimento. Recordo-me de dois clubes: Santo Antonio F.C. e XI de Maio F.C.. Salas ou garagens das casas dos amigos eram cedidas a nós, quando os clubes não funcionavam e cada vez era em uma delas. Reuníamos-nos em volta da velha vitrola que tocava discos de vinil.
As seleções de músicas eram variadas, dançávamos boleros, fox trote, cha-cha-cha, rock, samba, twist. Quando se ouvia o inesquecível Ray Conniff, as meninas se alvoroçavam, à espera de seu par predileto para dançar de rostinho colado. Entre outros se ouvia também The Platters, Perez Prado, El Cubanito, Trio Los Panchos, Paul Anka Chubby Checker, Nat King Cole. Despontava também Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Roberto Carlos entre outros. Com todos esses ritmos os jovens se animavam e saiam aos pares a dançar e mostravam passos diferentes como, por exemplo, o floriado.
Nesta época os bailes de formatura estavam em alta, principalmente nos salões do Aeroporto de Congonhas, salão magnífico, enfeitado, que para nós era a realização verdadeira de um sonho.
As grandes orquestras, hoje extintas (o que é uma pena), se revezavam para atender a grande demanda de formandos no fim do ano.
Dançar faz bem ao corpo e a alma, reporta-nos ao aconchego de um abraço, os pares se elevam, se envolvem no ritmo musical, se desanuvia a mente, nos sentimos livres, esquecemos por instantes de quem somos, não mais aqueles jovens bem sei, mas mesmo assim nos deixamos levar e tornamos a sonhar e ter saudades de um tempo tão bom e inesquecível, que só a juventude pode nos proporcionar. Se bem que os velhos também sonham…
E-mail: [email protected]