Saíamos cedinho de casa
no bairro da Freguesia
logo após o café da manhã
seguíamos a pé até a Lapa,
e então esperávamos o trem.
A saudosa Maria Fumaça,
chegava fazendo barulho,
e aquele apito estridente
era o maior dos encantos
dos meus tempos de menino.
Taipas era o nosso destino.
O mesmo não era lotado,
não se via ninguém pendurado,
do lado de fora do trem,
o povo era mais educado
e atencioso também.
São Paulo era bem pequena,
já era uma terra boa,
havia aqui muito verde,
sereno e também garoa.
Por toda a minha vida,
até os dias de hoje,
eu jamais esqueci,
o trajeto daqueles trens,
de Santos a Jundiaí.
Ele saia da Luz
depois era Barra Funda,
aí vinha Água Branca,
e então chegava a Lapa
depois vinha Pirituba
logo a seguir era Taipas.
Descíamos na estação
que hoje é Jaraguá
depois pegávamos
uma estrada de terra
bem assentada.
Agora não lembro mais
quantos quilômetros se andava
para chegar à Fazenda do Estado
e depois por dentro da mata
por uma estreita picada,
onde havia sabias, pardal e tico-tico
subíamos a encosta do morro.
para chegar ao topo do pico.
Então lá do alto eu via
bem longe no horizonte
cercada de muita mata
a minha cidade querida
São Paulo de Piratininga,
de Nóbrega e Anchieta
e hoje fechando os olhos
vejo essa cena bonita
rica de muitas lembranças.
Me vem então a vontade
de voltar a ser criança,
mas uma criança crescida
ver com meus olhos de hoje
até onde a vista alcançar
olhar São Paulo de novo,
do Pico do Jaraguá.
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