Paulistanamente boliviano

Fé, cultura e cidadania pulsaram forte nos corações dos milhares de bolivianos (e por que não dizermos também dos brasileiros) que transformaram o Memorial da América Latina em mais um departamento do Estado Plurinacional da Bolívia no primeiro final de semana de agosto.

O civismo da festa da independência (e já se vão 187 anos de história "republicana" (re)construída dia após dia…) e a emocionante religiosidade dão o tom ao evento. Olhares atentos, saudosos, emocionados e alegres se entrecruzavam em meio às roupas coloridas, a bandeiras agitadas, as fantasias que remexem nossa imaginação, tudo sob o olhar maternal da Virgen de Copacabana, padroeira de toda Bolívia cuja imagem era ladeada por outra expressão da fé boliviana, a Virgen de Urkupiña, protetora do Departamento de Cochabamba.

Diversas agremiações de música e dança desfilaram e animaram o público presente, tinkus, caporales, sayas, diabladas, chacareras e morenadas ditavam o ritmo vibrante da festa, destaque para Fraternidad Morenada Señorial Illimani que por instantes deixou a cadência marcada da morenada para embalar o público ao som dos hits "Ai se eu te pego" e "Tche tche rere". E não há como se esquecer das suculentas salteñas e das apimentadas pukacapas, saborosas empanadas muito apreciadas por todos bolivianos e brasileiros que, como eu, sentem prazer em vivenciar a bolivianidade na cosmopolita terra dos mil povos.

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