Aos domingos, seja pela manhã ou pela tarde, gosto de sair de carro pelas ruas da cidade, sem um destino certo, apenas escolhendo uma direção.<br>Neste domingo, dia 28 de janeiro, percorri parte do Braz antigo, indo pela rua Carneiro Leão, Piratininga, Caetano Pinto e Rangel Pestana, seguindo depois pela Celso Garcia até a antiga oficina de bondes da cmtc. Desolado. Esta é a melhor descrição do meu estado de espírito.<br>Para tentar melhorar o passeio, segui pelo viaduto Bresser, chegando na Paes de Barros, e a partir daí, entrei em outra cidade, muito mais conhecida minha como a cidade de São Paulo. As casas, ruas, arborização são muito diferentes do pobre bairro do Braz, tudo sujo, construções antigas sem qualquer conservação, cheia de cortiços, verdadeiro sub-mundo. Mas o alto da Mooca continua a ser um bairro como identificávamos os bairros de São Paulo.<br>Entrei na rua Juventus e contornei a segunda rua a direita, até a entrada do parque da Mooca, lugar de passeio e recreio aos domingos, famílias fazendo piquenique nos gramados, banda municipal tocando no coreto, crianças brincando no parquinho….. Só na minha lembrança! O parque da Mooca está abandonado! Os portões de acesso fechados. Mato mais alto do que eu, impedindo a visão até dos sonhos.<br>Encontro um vigia de rua e pergunto o porquê daquela situação.<br>-Na gestão da Marta o parque foi abandonado e fechado. Mas eu vejo bandos de maritacas junto a cerca do parque, e o vigia me diz:<br>-Tem um morador que traz ração para os pássaros, e eu e outro vigia cuidamos em alimentá-los!<br>Pobre São Paulo do abandono. Eu garanto que se a prefeitura arrumasse os equipamentos de lazer, e os entregasse a custódia dos moradores do bairro, a situação seria bem diferente, pois duvido que alguém queira um matagal junto de sua casa, escondendo bandidos, sujeira, focos de doenças, multidões de ratos e pernilongos.<br>Voltei para casa triste, numa tarde triste de domingo, e só tinha vontade de dar minha voz para a cidade gritar:<br>-SOCORRO !