Morei no Tatuapé, mais precisamente na Rua Maria Eugênia (rua da Igreja Cristo Rei, paralela a Rua Tuiuti) entre os anos de 1963 e 1986.<br>Durante estes anos estudei no Colégio Fernão Dias (hoje não existe mais, virou estacionamento do Banco Banespa), Educandário Espírito Santo, Escola Erasmo Braga, Colégio Estadual Osvaldo Catalano e Escola de Ensino Supletivo Santa Inês. <br>Fui sócio do Corinthians durante todos esses anos com muita honra e como torcedor tive o prazer de ver o Timão ser campeão em 1977 depois de muito sofrer, porém, fui comemorar e bebemorar e muito na Av. Paulista.<br>Naquela época a Av. Celso Garcia possuía um comércio forte, com mercados de frutas, cinemas, farmácias, lojas de calçados, padarias e bares, além dos prédios residenciais, tudo muito bem cuidado. O movimento dos ônibus que vinham da zona leste e vice versa era tão intenso que os engarrafamentos eram constantes, obrigando os passageiros a seguirem a pé a viagem para não chegar atrasado ao trabalho, como várias vezes aconteceu comigo, pois trabalhava no bairro do Belém, próximo a Rua Gonçalves Dias e dependia exclusivamente do transporte coletivo. Não sei se é verdade, mas ouvi dizer que o movimento de ônibus na Av. Celso Garcia era o maior do mundo naquela época.<br>Com o passar o tempo e atingindo a maioridade, passei a dirigir e freqüentar a praça Silvio Romero aos sábados a noite e domingos a tarde, já que tornou-se o point na época da juventude da zona leste.<br>O carnaval no Corinthians, um dos melhores de São Paulo, era freqüentado pela maioria dos sócios e por grande número dos moradores das redondezas do clube. Os blocos de carnaval formados pelas "turmas de rua" como éramos conhecidos na época, disputavam os prêmios que eram entregues pessoalmente pelo Presidente do clube Sr. Vicente Matheus e Sr. Marlene Matheus que também eram patrimônio do bairro, visto que moravam na rua Maria Eleonora (travessa da Rua Maria Eugênia).<br>Os principais blocos de carnaval eram o Boca 36 formado pela turma da Rua Maria Eugênia e o Berimbau formado pela turma da Rua São Jorge, que proporcionavam um grande espetáculo dentro do ginásio de esportes ao desfilarem na chegada e durante a noite na pista de dança.<br>Os tempos passaram e eu optei por vir morar em Salvador, Bahia, no ano de 1986, onde estou até hoje. Aqui constitui família e tenho uma filha nascida aqui mesmo e que vai completar 20 anos este ano. Vou a São Paulo pelo menos a cada dois anos visitar os familiares e amigos que deixei com muitas saudades e que me recebem com muita festa e muita cerveja também.<br>Acredito que tenha contado pelo menos um pedaço da minha história e da minha vida, muito bem vivida em Sampa e que apesar dos vinte anos que moro em Salvador ainda sinto muitas saudades de tudo que deixei, por isso acompanho diariamente, através do noticiário de televisão e da internet tudo o que acontece na grande metrópole, além de falar via telefone com os familiares e amigos, muitos deles morando em outros bairros, mas que se reúnem todo o final de semana em algum boteco do Tatuapé para tomar umas e outras.<br>Abraços a todos os conterrâneos.