Ano de 1956, 11 de novembro, às 14h30. Enfim o primeiro respiro e o choro fora do útero materno. Mãe, minha heroína.
Cheguei, estou aqui e… Cinquenta e três anos depois… É só saudades. Se pudesse voltar no tempo, iria aterrissar minha nave na era verde de natureza abundante e ar puro desse meu outrora recanto encantado, e tentar salvá-lo da ganância de alguns e a ingenuidade de tantos outros.
Sinto saudade de um tempo onde imperava a simplicidade, a cordialidade e o respeito entre as pessoas de um povo que tinha orgulho desse recanto encantado de Parelheiros. Saudade dos bons e velhos tempos, tempos da escolinha de madeira à beira da estrada, do tio João Ribeiro (dentista), do Seu Abílio Christe, do Seu Mané Queiróz (da farmácia), do Seu Gilão (grande figura!), Seu Pedrinho da venda e muitos outros que fizeram, outrora, desse recanto encantado, um lugar bom, divertido e feliz, mas que foi se degradando com o tempo.
Houve um tempo em que esse recanto deslumbrava encantos. Tempo em que esse recanto, em dias de festa, era tomado por belos enfeites, por belas moças. Barraquinhas que mostravam as delícias da culinária enquanto a multidão abria passagem para o desfile de carros alegóricos, à banda do colégio, aos cavalos com seus cavaleiros imponentes e às amazonas em suas montarias, com uma beleza descomunal.
Tempo em que na Igreja aos domingos pela manhã o povo acotovelava-se para assistir à missa, e a fé naqueles tempos parecia ser infindável. Tempo em que depois da missa, lotavam-se os barrancos à beira do campo de futebol para verem os craques do Time Juvenil (Tico, Rolinha, Pingo), e tantos outros garotos.
Pois é… Quanta saudade! Saudade dos bailes de carnaval na Sede do Parelheiros F.C., regida pela voz e alegria contagiante do cantor Arnaldo Alves. Saudade dos bailes em que tantos namoros comecei, tantas bocas beijei, tantos foras levei, tantos amigos ganhei (Ernesto, Ricardo, Edson, Jorge, Paulo, Miguel, saudoso Normando e muitos outros)… Amigos com quais vivi tantas emoções.
Talvez Parelheiros não tenha mais aquele encanto que tinha antigamente. Os rios não são mais os mesmos. Moradores vieram e se foram. Ainda há o encanto de meu recanto?
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