Paraíso – Colégio Ipiranga

A abertura da Av. 23 de Maio e a construção do viaduto Sta. Generosa, nos anos 70, desfigurou o local defronte à Catedral Ortodoxa, na Rua Vergueiro. Ali, entre a Rua Correia Dias e a Rua do Paraíso existiu o antigo Largo Guanabara (depois Praça Rodrigues de Abreu), com sua Igreja de Santa Generosa, hoje reconstruída na Av. Bernardino de Campos.<br><br>Entre a Rua Correia Dias e o Largo havia o Colégio Ipiranga, antiga construção de ampla fachada característica dos anos 30, com dois andares e altas janelas. Era pintado de azul e branco. Na mesma calçada, quase na esquina da praça, ficava uma loja de molduras e quadros. Muitos anos depois, vim a saber que era daquele que se tornaria o grande artista plástico Tikashi Fukushima.<br><br>Ali fiz o curso clássico, entre 1957 e 1959. O Colégio Ipiranga não estava entre as escolas de primeira linha, mas tinha um ensino honesto e alguns excelentes professores. Era dirigido pelo Prof. Miguel Sansigolo, correligionário do PSP de Adhemar de Barros, tendo sido vereador. O bedel era o "seu" Portela, que tinha a dura missão de manter a disciplina no pátio, sem muita convicção e resultado. <br><br>Virou e mexeu os alunos resolviam não entrar na aula após o recreio e aglomerava-se então a turba gritando "caderneta, caderneta", "Miguelão, Miguelão". Às vezes dava certo e éramos dispensados. Eu fazia o curso clássico, mas sonhava ser biólogo (e sou!). A maioria de meus colegas ia fazer Direito. Pelo que sei, muitos fizeram mesmo. Tínhamos alguns professores ótimos e inesquecíveis: o Prof. Lobo, de português e latim; o Malaquias, de geografia, de voz cavernosa e olhar que nunca encarava ninguém; o Credídio, o Lima, o Plaza. <br><br>Dos meus colegas de turma, o mais famoso é o pianista João Carlos Martins, que só fazia palhaçadas na aula, quando ia (e que na sua biografia diz que fez o colegial no Liceu Pasteur, omitindo o nosso Ipiranga, que ele cursou os três anos). Tinha o Cardoso, hoje desembargador aposentado, meu companheiro das sextas-feiras de box no Ibirapuera, dos tempos do Éder, dos Paulos (Sacomã e de Jesus). <br><br>Ainda o Danilo, galã da turma, o Moacir Bresser, o seresteiro Carpinelli, os "garotos" Celsinho e Carlos Elídio, as três meninas, entre elas Maria Cecília, zelosa de ter na família a Sra. Olívia Guedes Penteado.<br><br>Lembro-me de quase todos. Quando íamos embora, às 11 da noite, muitos pegavam o bonde para São Judas, Vila Mariana, Santo Amaro, em frente à confeitaria ABC, na esquina da Domingos de Morais com a Rua Eça de Queirós. Ali, tomamos muito chope, e comemos a melhor coxinha que já se fez em São Paulo.<br><br>Bons tempos!<br><br><br>