No auge dos meus 14 anos, ia todos os domingos à matinée do Cine Hollywood, em Santana. Estou recordando-me da época, na década de 60, onde trabalhava como office-boy nas Lajes Volterrana, na Rua Barão de Itapetininga,151 – Centro nobre de SP naquela época. Andava a semana inteira a pé, entregando correspondências e malotes para economizar a grana da condução, para que no domingo eu pudesse ir à matinée do Cine Hollywood.<br><br>Lá estava eu, pontualmente, às 14.00 horas, na porta do cine, todo empetecado, vestindo minha "única" calça jeans Lee, comprada na Praça do Patriarca e impecavelmente desbotada, graças a inúmeros banhos de chuveiro vestido com a dita cuja, esfregando-a com pedra-pome e devidamente perfumado pelo perfume "Lancaster", um “must” para a época. Pronto, já na fila para comprar o ingresso, começavam as paqueras com as "minas", olhares lânguidos e sorrisos marotos apontavam com quem iríamos "sentar" para assistir o filme.<br><br>Entrando no hall, ia até a bomboniére comprar um drops dulcora de menta, pois nada como um bom hálito na hora da abordagem. Ficava observando onde a escolhida, a que me deu "bola" na fila, iria sentar. E prontamente sentava-me na fila de trás, e aguardava o início da sessão. Pronto, começava a sessão e o coração disparava, pois ia tentar a abordagem de uma forma muito singular, sentado atrás da mina, debruçava-me sobre o encosto da cadeira lateral e perguntava de uma forma sutil e romântica: -"Oi posso sentar com você?" E aí o coração ia “a milhão”, pois aqueles trinta segundos para a resposta pareciam uma eternidade.<br><br>BINGO!!! A mina dizia “pode”!!!<br>Imediatamente passava para a fila da frente e sentava ao lado da moça, imaginem a adrenalina, a boca seca… E começava a ensaiar a abordagem final: -“Aceita um Dulcora?” E de uma forma muito sutil, colocava meu braço sobre o encosto traseiro da poltrona e, em seguida, sobre seus ombros. Então, estava tudo bem, braço sobre os ombros e com a outra mão tentava segurar as mãos da mina, que também estava com o coração a mil.<br><br>Aí vinham os papinhos, como é seu nome, onde você estuda, e a pergunta mais difícil, QUER NAMORAR COMIGO? Isso tudo falando no ouvidinho para não incomodar os vizinhos. De repente, nessas oportunidades, um beijinho no rosto, em seguida uma tentativa para roubar um beijo na boca…<br>Pronto… Estava consumado um início de namoro que poderia seguir em frente; conheci muitos casos que viraram grandes romances.<br>Meu!!! Acreditem! Isso nos dias de hoje, para muitos, é uma “babaquice”. Mas para nós, desta geração, era um grande lance; rolava muita emoção e muito romantismo, pois qual mulher que não vibrou quando recebeu um pedido: – "QUER NAMORAR COMIGO"?<br><br>