Parada Inglesa – 47 anos em dois quilômetros

Nasci em 1950, em uma casa na Avenida Cabuçu (naquele tempo nascíamos em casa), hoje ela chama-se Eurico Gaspar Dutra. Aos onze anos fui morar na Rua Tomé Portes, no número 28. Aos 18 fui morar na Rua Sérvio Caldas, número 254, onde morei até quando me casei, indo morar na Avenida Ataliba Leonel, número 3440. Infelizmente me divorciei, em 1988, indo então morar na Avenida Alvaro Machado Pedrosa, onde fiquei até 1997 e, por necessidade, sai deste lugar maravilhoso: a Parada Inglesa.<br><br>Todos estes endereços expostos acima estão em um raio de dois quilômetros. Neles vivi os mais felizes e tristes anos de minha vida. Foram 47 anos ali, cresci, brinquei, tornei-me homem, casei-me, tive filhos. Ali amei e fui amado. Iludi-me e me desiludi. Este lugar maravilhoso de São Paulo, a Parada Inglesa, viu ao primeiro beijo que dei. Logo ali, escondidinho no escurinho da Rua Pedro Cacunda, em uma loirinha chamada Marlene. Foi este bairro também que me viu conquistar a minha primeira namorada, uma portuguesinha lindinha, que morava na Rua Sérvio Caldas, chamada Landa. Assim também como este bairro conheceu o primeiro grande amor da minha vida, a filha de um carroceiro espanhol, que morava na Rua Mangaíba, irmã do Peres e do Walter que, embora chamasse Sidnei, foi a mais bela flor que colhi na minha juventude.<br><br>Lembro-me com saudades dos bailes de carnaval na Rua Gabriela. Mais tarde, no inicio dos anos 70, os bailes das 22h às 4h no Parada Inglesa, clube que ficava na Rua Professor Domingos Marcondes.<br><br> A igreja, Paróquia Nossa Senhora dos Prazeres, foi onde me batizaram, onde fiz a primeira comunhão e mais tarde onde me casei, sempre com as bênçãos do saudoso Padre Júlio. Quantas saudades, meu Deus eu sinto, ao lembrar-me das milhares de vezes que passei por suas ruas, minha querida Parada: Francisco Lipi, Salvador Romeu, 24 de fevereiro, Tomé Portes, Silvio Rodini, Ataliba, Professor Marcondes, Ladário e Borges Ladário, e tantas outras que já nem me lembro mais.<br><br>Parada Inglesa, se lhe escrevo estas linhas agora, esperando que sejam publicadas é porque quero deixar claro que jamais te esqueci, nunca te abandonei. Se te deixei foi por força das coisas da vida, que a gente não consegue dominar. Mas te amo e sempre vou te amar, assim como amo as lembranças, da Liz Mari, da Dora, da Zali, da Vera, da Conceição, da Dalvinha (desculpe-me se te fiz chorar, mas eu não te amava, fazer o que?) do Monteiro, do Cezar, do Sabia, João Padeiro, Zequinha, Zé Murcho, Guelo, Jucada, Virgilio e de todos aqueles que um dia, jovens como eu enfeitavam este lugar que lindo já era.<br><br>Hoje, quando o branco do tempo já cobre meus cabelos, apenas meus netos me dão mais prazer que as lembranças que tenho de você. Aceite, humildemente este tributo.<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>