Papo com o M. 2

Antigamente, ou melhor, anteontem, quando tínhamos que trocar ideias comigo (ou consigo, sei lá…) mesmo, dizíamos: “vou consultar meus botões…” (quanta frescura, meu Deus) e trocava ideias comigo mesmo.
 
Quando estou em dúvida sobre qualquer assunto, recorro ao M. 2, que nada mais é do que o Modesto nº 2. O nº 1 sou eu.
 
Estou frente a um caixa eletrônico, querendo sacar um certo valor. O banco mantém no Shopping Continental, aqui no Parque Continental, zona Oeste de nossa São Paulo, quatro caixas eletrônicos: um para idosos, outro, além dos serviços gerais, serve para sacar o talão de cheques e os dois restantes para atender ao público em geral. Não é agência normal, não tem caixa “ao vivo”, tem funcionários atendendo clientes para outras finalidades bancárias, às vezes para quem não consegue usar o “ce”, tirando dúvidas e cartões presos, etc.
 
Chego perto do destinado para idosos, não tem ninguém se servindo de outros caixas, e lá vem o M. 2, dando seus palpites: 
– Vá com calma, não se esqueça dos óculos para perto, da senha, tire primeiro o saldo, lembre-se de que você já esqueceu seu cartão na máquina, siga…
– Basta, M.2, não enche o saco, não sou criança para ter tantas atenções assim.
– Ah, não? Você lembra quando veio pagar a prestação da lavadora, passou três vezes o cartão e na quarta vez o cartão ficou preso? Tinha esquecido do número certo da senha? E quando você, com a maior cara de pau, chamou o segurança para…
– “Tá” bem, agora me deixa em paz, preciso de um dinheirinho e você está me atrapalhando.
 
Tenho um pequeno envelopinho de plástico, próprio para cartões de crédito. Como só tenho um cartão do banco, e mais dois que não são de bancos, não tem o que errar.
 
Introduzo o cartão e logo vem a antipática mensagem: “Atendimento impossibilitado”. O caixa dos “velhinhos” deve ter pego a dengue, que se alastra nesta região. Deixo o caixa dos “guerreiros” e sigo em frente. Vou para o outro, a mesma coisa, começo a ficar preocupado. Vou para o terceiro, já pensando em chamar um funcionário quando, de repente, o M. 2 me cutuca: 
– Seu cabeça de jumento, já viu se a faixa marrom, da leitura ótica, está do lado certo? 
– É claro, é a primeira coisa que olho… 
– Me deixa ver de novo. 
 
Quando o M. 2 vê o cartão, dá um “berro” que só eu escuto:
– Veja bem sua cavalgadura, como a máquina pode te dar as informações com este cartão…? Só se for para remédio… 
– O cartão era da Drogasil para os devidos descontos nas compras de remédios… 
 
Mais uma vez, o M. 2 estava com a razão!