Dia 17 de setembro fez 29 anos que meu pai se foi. Penso tanto nisso; penso nele. Como esquecer aquele menino (hoje sei que ele era um menino grande, porque eu sou assim e éramos tão iguais) sempre de chapéu, com seus olhos tristes e que falava tão pouco? Este ponto – falava tão pouco – eu preciso esquecer. Preciso esquecer para ter paz por que, ao lembrar, vem no pacote a pouca atenção que eu lhe dava, vem à lembrança o tempo que desperdicei não aproveitando cada minuto dessa convivência que poderia ter sido tão rica e também, isso mais dolorido, lembro-me de ditos, palavras e ações, coisas que fiz e que não consigo explicar.
Ah, e lembro tanta coisa boa também. O sol, o jardim que ele cuidava. Passeios no centro da cidade de São Paulo que às vezes fazíamos (lembro-me de ter visto com ele os já tão citados porquinhos que brigavam por uma salsicha, da botica “Ao Veado d'Ouro” onde fomos juntos, ele me mostrando o marco zero e buscando identificar nossa terrinha, de partidas de futebol que vimos juntos e do jogador que ele mais admirava – o Palhinha do Cruzeiro, de quem ele sempre dizia "esse joga bola". Lembro-me de tanta coisa! Ontem fez 29 anos. Tanto tempo!
Tentei rezar, mas eu não sei rezar. Improviso uma fala dirigida a Deus – em pensamento, claro – que sai meio desconexa e nem sei se Deus me entendeu, mas foi algo como "Meu Deus, cuida bem dele para mim".
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