Essa padaria era a mais famosa do bairro, porque ficava numa Praça que oficiosamente era chamada pelo nome da padaria. Na verdade o povo dizia "Largo da Maná", em vez de Praça. Essa Praça tinha quatro ruas iniciando ou terminando nela. A Rua Joaquim Floriano iniciava, já a Avenida São Gabriel, terminava. A Avenida Santo Amaro iniciava e a Brigadeiro Luiz Antonio, cujo número ali era 2500 aproximadamente, terminava.<br><br>Os pracinhas brasileiros moradores do Itaim Bibi, quando voltaram da segunda guerra mundial, todos em perfeito estado de saúde e sem um arranhão, foram recepcionados no Largo da Maná. E nesse tempo de guerra, quando o pão era pouco devido o racionamento da farinha de trigo, era a Padaria Maná quem mais fazia pão fresquinho. Para se obter um filão, as pessoas madrugavam na fila. Minha irmã com 13 anos ia à fila logo às quatro horas da madrugada. Para pegar um filão a mais, eu ia às 14 horas quando saia a segunda fornada de pão, mas em outra padaria que ficava Na Rua Joaquim Floriano esquina da Rua Bibi (Renato Paes de Barros). <br><br>O pão era vendido por quilo, o que dava um filão e mais um pedaço de uns dez centímetros que era chamado de contra peso, o filão e o contra peso eram embrulhados com um papel opaco, meio cinzento de uns 60 cm x 40 cm. Era comum pessoas comprarem um filão e levarem debaixo do braço. As pessoas jocosamente diziam que o pão era levado debaixo do "subaco".<br><br>Tanto eu como minha irmã lá pelos anos 1946 até o inicio de 1948, ficávamos na fila para pegar o filão nosso de cada dia. Era um filão para cada pessoa por isso eu ia junto com minha irmã, pois dois filões de pão davam para o dia todo, desde o café da manhã como o café das três horas da tarde.<br><br>Bares e mercearias tinham a Padaria Maná e a do seu Delfim (Rua João Cachoeira) como fornecedoras do pão para pessoas que não queriam andar muito e preferiam pegar o pão próximo a sua casa. Essa vida corriqueira foi até o final do ano de 1948, quando a coisa começou a voltar ao que era antes da guerra.<br><br>Mais tarde veio uma padaria moderna com a instalação mais vistosa que as mencionadas, pois o povo gosta de coisa bonita e, de mais visibilidade, como ter uma grande vitrine grande cheia de pães e doces ou um balcão um grande vidro de quatro compartimentos cheio de balas em cima que girava e os próprios consumidores pegavam e pagavam no caixa. Era a modernidade que estava chegando e o povo adorava o que estava acontecendo. Era a Panificadora Marialva, Quase ao final da Rua Joaquim Floriano esquina Com a Rua da Ponte (Clodomiro Amazonas). Passado mais de sessenta anos, pouco ou nada mudou no quesito padarias e consumidores.<br><br><br>E-mail: [email protected]