Meados dos anos 50, eu estudava na escola que ficava em frente a minha casa na Rua Augusta, Colégio Santa Mônica. Era um colégio dirigido por freiras cuja diretora Madre Olavo era de uma beleza extravagantemente perceptível, mesmo quase que totalmente no seu habito negro.
Em contrapartida a vice-diretora, também freira, era de uma feiúra indescritível e, consciente dessa figura, fazia questão de ser ranzinza e, às vezes, até bruta, era a irmã Ivone.
Minhas professoras ("naquela época não tínhamos o costume de chamá-las "tias", era "fessora" mesmo") eram Da. Rina (uma magrela espigada, brava e malvada como a peste, que fazia par com a Madre Ivone), e Da. Lourdes. Calma, amistosa, serena e, por que não dizer, bonita.
Estávamos nos encaminhando para o fim do ano letivo, eu cursava o 4º ano primário. Desde aquela época eu já sentava no "fundão" e um belo dia, fomos surpreendidos por uma travessura do Papaléo que subira ao palco que ficava às nossas costas e fazia gestos como se estivesse acariciando suas partes baixas e gostando. Achamos (eu e mais alguns colegas do fundão) engraçada a situação e começamos a rir.
Estávamos ainda rindo quando fomos surpreendidos por Da. Rina. O Papaléo, ligeiro como nunca, sumiu do palco e só ficamos nós a gargalhar da situação.
Nenhuma dúvida o Miguelzinho aqui foi pego no flagra, levou uns puxões de orelha para sentir medo e acusar os demais participantes da pandega e, como não os delatou, foi suspenso. Como já tínhamos feito as provas finais do ano letivo e eu tinha passado, sofri como pena máxima o castigo de não poder cursar na Escola o 5º ano que naquela época, substituía o ano de preparatório para o curso Ginasial.
Fiz esse 5º ano no antigo Grupo Escolar São Paulo (hoje Colégio Marina Cintra) na Rua da Consolação e foi aí que me enturmei com o pessoal dessa artéria urbana, entre elas a minha irmãzinha Eurídice, o João Batista (Juca), o Zilando (que já era meu grande amigo de infância).
Tempos inesquecíveis! Memórias inesgotáveis!