Ouro para o bem de São Paulo

Esta nossa cidade de São Paulo não para de nos surpreender! Pelo menos a mim, que me achava tão em dia com o que existe nela.

Vocês sabiam que na Rua Álvares Penteado, número 23, Largo da Misericórdia, em um terreno que pertencia à Santa Casa de Misericórdia, existe um dos mais curiosos prédios de São Paulo, que além de sua arquitetura diferenciada ainda leva também o nome de "Ouro para o Bem de São Paulo"?

Pois é. Ele foi projetado pelo escritório de Armando Dumont Villares e Ricardo Severo. Ele tem o formato da bandeira paulista tremulando, em que cada andar corresponde a uma das 13 listras. O mastro, representando as alianças doadas, foi decorado com um capacete constitucionalista, no topo do edifício. O prédio ficou pronto em 1939. No site do Museu da Santa Casa existe uma foto do edifício, onde se pode admirá-lo com bastante nitidez.

Apenas relembrando o que outras pessoas já escreveram sobre o assunto aqui no site, em 1932 mulheres paulistas doaram suas alianças de casamento para o caixa militar da Revolução Constitucionalista e a campanha, vitoriosa, mobilizou toda a população do Estado. Dizem que cidadãos muito humildes também colaboraram. Então, esse era um ouro sagrado. Os que faziam as doações recebiam um diploma com a frase "Dei Ouro para o Bem de São Paulo" e um exemplar deste documento encontra-se no Museu da Santa Casa de Misericórdia.

Em três meses de revolução a arrecadação foi muito grande e, ao final, pouco foi usado. O que sobrou do que foi arrecadado foi enviado à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. O ouro foi todo utilizado na construção do edifício.

Por que para a Santa Casa de Misericórdia? Esta instituição desempenhou um papel fundamental durante a Revolução. Seu hospital era o hospital oficial da Revolução e muitos de seus médicos, enfermeiros e funcionários seguiram para a frente de batalha.

Outra Instituição que foi fundamental para a Revolução Constitucionalista foi o IPT da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, confeccionando muitos objetos bélicos, alguns em exposição no Museu da Santa Casa, como capacetes de aço, morteiros e granadas de mão, bombas e bombardas, a matraca que imitava o som das metralhadoras e até trem blindado.

Trabalhavam 24h por dia para suprir os revolucionários. Lembro-me de que minha mãe contava sobre essa campanha e lembro-me também de ter visto, na casa de meus sogros, a farda e o capacete usados por meu sogro, que ainda bem jovem participou da Revolução.

No acervo do Museu da Santa Casa, estão os volumes com os nomes de todos os doadores da campanha. Quanta honestidade! Lembremos que estamos falando de um tempo em que o fio do bigode valia mais do que documento em cartório.

Aos amigos do site São Paulo minha cidade sugiro uma visita ao Museu da Santa Casa, que é recente e carece de visitantes. Foi inaugurado em junho de 2000 e leva o nome de seu organizador, Engenheiro Augusto Carlos Ferreira Veloso, contando com mais de 7500 peças. Ele está dentro do próprio prédio da Santa Casa e, além de conter documentos históricos variados (principalmente da área da saúde), tem também a “Roda dos expostos, excluídos, enjeitados e/ou abandonados”. Este é um assunto a ser pesquisado e objeto de um texto exclusivo. No site do Museu existe uma foto da Roda e informações muito interessantes sobre o tema.

Observação: informações extraídas da coluna "Quem fez…" (por Rodrigo Brancatelli) publicada no jornal O Estado de São Paulo e do site do Museu da Santa Casa de Misericórdia.

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