Uma coisa que se via muito na cidade de São Paulo eram os vários relógios, todos eles com números um a doze, sem aqueles riscos que muitos têm, com apenas os números 3 – 6 – 9 e 12, e o resto riscos. Naqueles anos 1950, uma manhã quando ia da Vila Olímpia até o Brás, os relógios eram os meus amigos, a dizer se eu estava atrasado ou não.
Quando descia no Anhangabaú, ia em direção à Galeria Prestes Maia e cumprimentava a estátua de Verdi, à esquerda. E antes de entrar na galeria, na entrada, o enorme relógio mostrava como eu estava de tempo para chegar ao meu destino. Subindo as escadas rolantes e saindo da Galeria, entrando na Praça do Patriarca, outro relógio mostrava quantos minutos eu tinha caminhado durante aquele pequeno percurso.
Pela Rua Direita não tinha observado nenhum, mas quando estava no início ou fim da Rua XV de Novembro, à esquerda, lá estava um com seus números em algarismo romano. E nessa rua havia outros; mesmo porque é uma rua bancária e homens de negócios têm que estar sempre na hora certa.
E assim por diante. O fato é que, por falta de relógio, não se chegava atrasado a lugar nenhum. E por falar em relógio de Algarismo Romano, um que sempre me chamou atenção era um que está na Avenida São João, esquina com a Rua Líbero Badaró, quando termina a Praça Antonio Prado.
É um relógio que está em cima de um poste de ferro, e sempre muito bem cuidado. Esse relógio foi colocado ali há muitos anos por um homem. Só eu, o vejo já faz 56 anos, sempre limpo. E é de propriedade da cidade, presente de um paulistano ou não, e que depois de morto teve seu filho como mantenedor, não só na limpeza como num eventual conserto. Há não muito tempo, o responsável pela manutenção pedia a ajuda de um patrocinador para a manutenção do relógio, a seu pedido.
Como sempre, tem custos para tal, a pessoa pediu um patrocínio. Porque será que a prefeitura não assumiu esse relógio, que não é dessa pessoa e sim da cidade? Será que é pelo fato de ter que fazer uma licitação, que além de levar no mínimo seis meses, sempre tem alguma “dificuldade” por trás, motivo de alguém que se sinta prejudicado, entrar na justiça?
Vejam, por exemplo, os vários relógios digitais que, além de marcar as horas marcam também a temperatura, sempre origem duvidosa, que estão nos canteiros públicos com a imagem em branco, ou então com alguns números em falta, porque terminou o contrato e esta difícil a renovação. Porque será que a prefeitura não faz um contrato que vigora para sempre?
Agora, o relógio mais visto por muitos anos, o único não redondo na cidade, era o relógio do Mappin. O quadrado, além de marcar as horas para todos nós, marcava também o local de encontros amorosos ou de negócios, como lembrou o meu amigo Luiz Saidenberg num de seus textos. Eu mesmo marquei muitos encontros em determinadas horas em que a mentira não se enquadrava no papo, porque o "quadradão" do Mappin estava lá para não deixar ninguém mentir.
Infelizmente, o relógio do ex-Mappin está parado há muito tempo, penso que desde que o Mansur resolveu parar o Mappin. E voltando a falar em relógio digital, o primeiro a existir na cidade de São Paulo vem do início dos anos 60, no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista com a Rua Augusta. Costumava-se a dizer que era o relógio da Willys, a propaganda de uma fábrica de carros daquela época. E os números que ele mostrava naquele neon de cor azul, à noite, era visto por toda a cidade. Hoje a publicidade é de um Banco, mas pouca gente vê de longe porque os espigões da cidade impedem.