Os incríveis Incríveis…ternas recordações

Faleceu em razão de câncer no pulmão com metástase óssea, às 5h50 de quarta-feira, dia 30 de janeiro, outro personagem que povoou doces momentos em nossa juventude. Imagens ternas e sons que se transformaram em lembranças, que repousam em algum canto de nossos corações. Refiro-me a Lívio Benvenuti Júnior, ou seja, o Nenê, baixista do inesquecível conjunto musical Os Incríveis.

Nenê se reuniu a Mingo e Manito recentemente falecido. Músicos extraordinários além dos padrões daquele tempo. Nenê não era um mero marcador de compasso; recordo-me de seus fraseados no contrabaixo que influenciou diversos instrumentistas. Após a dissolução do grupo, tocou com Roberto Carlos, Elis Regina, Raul Seixas, entre outros.

Assisti ás diversas apresentações do conjunto; a derradeira foi no seu regresso após uma turnê no Japão. Com o grande sucesso da canção "Kokorono Niji", gravaram posteriormente "Sayonara, Sayonara" que participou do FIC (Festival Internacional da Canção) da Globo. Aproveitando o prestígio entre a colônia japonesa, realizaram um show no extinto Cine Nipon que funcionava na Rua Santa Luzia 74, no bairro da Liberdade. Eu residi no número 71, bastando atravessar à pacata e curta rua.

Recordo-me perfeitamente: primeiro um filme e posteriormente o que mais nos interessava naquela tarde. Uma entrada triunfal com seus impecáveis terninhos vermelhos no estilo dos Beatles. A música inicial foi uma versão "Mundo Louco" deixando a plateia extasiada: “…Como é bom se viver, em nosso mundo tão louco. Os homens parecem gostar de criar confusão! Como é bom se viver, em nosso mundo tão louco. Os homens parecem gostar de perder a razão!…”

Benvenuti lançou em 2009 o livro "Os Incríveis anos 60-70 – …E eu estava lá". Ele iniciou a carreira em 1959 aos 12 anos de idade como baterista do grupo The Rebels. Dois anos mais tarde optou pelo instrumento com o qual tocaria nos Incríveis.

Meus empoeirados discos de vinil dos Incríveis "sobrevivem" há mais de quatro décadas e a cada audição me resta a certeza de que o passado valeu. Nem mesmo Deus onipotente pode mudar o passado. Um forte abraço aos meus contemporâneos.

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