Minha avó Pierina Maestrello nasceu em Verona, na Região de Veneto na Itália, e chegou ao Brasil em 31 de outubro de1891, com quatro anos de idade, no Vapor Las Palmas, conforme consta nos arquivos do Memorial dos Imigrantes, conforme registro nº 09938.
Meu avô Ângelo Galastri nasceu no norte da Itália na cidade de Arezzo, região de Toscana e chegou ao Brasil em 19 de maio de1898.
Conheceram-se e casaram-se na cidade de Salto, interior de São Paulo. Tiveram quatro filhas e dois filhos. Posteriormente se mudaram para a cidade de São Paulo, onde meu avô, minha mãe e duas tias começaram a trabalhar nas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, em uma fabrica localizada na Avenida Celso Garcia e passaram a morar na Vila Matarazzo no bairro do Belém na Rua Fernandes Vieira, que era uma vila para os funcionários da empresa e que existe até os dias atuais.
Quando minha mãe se casou, ela continuou morando com meus avós, onde nasceram meus dois irmãos mais velhos e eu em 1949 e onde vivi os meus primeiros quarenta dias de vida até mudarmos para Vila Antonina, pertencente ao bairro do Tatuapé.
Quando chegavam as férias escolares, eu e minhas primas revezávamos para passar uns dias na casa da nona, que continuou morando na Vila Matarazzo.
Na Vila Matarazzo todos se conheciam e, por isso, as pessoas eram muito acolhedoras. Tudo era muito limpo e organizado, o lixo era acondicionado em latas numeradas de acordo com cada residência e colocadas na entrada da vila em dias certos da semana. Após a coleta do lixo, as latas vazias eram disputadas e redistribuídas pela criançada às respectivas residências recebendo em troca balas e moedas. As casas geminadas eram amplas e arejadas e a casa de minha avó possuía cortinas de renda nas janelas e as camas eram adornadas com acolchoados de penas de galinha, uma tradição italiana. Na sala havia uma confortável cadeira de balanço, imensa para o nosso tamanho e um rádio colocado fora do alcance das crianças e que era ligado somente pelo nono para ouvir noticiários e programas esportivos.
Ao anoitecer era um hábito colocar cadeiras nas portas para bater papo com os vizinhos e contar histórias que, às vezes, nos apavoravam. Aos sábados se reuniam na casa de algum patrício para jogar tômbola. Aos domingos passeávamos na região da Quarta Parada, denominação referente à estação de trem, onde havia chácaras de plantação de flores e verduras. Ás vezes, íamos à Igreja do Largo São José do Belém, sem contar é claro com a tradicional e deliciosa macarronada, feita no maior capricho pela nona, acompanhada de um bom queijo parmesão e vinho, que para as crianças era diluído em água com açúcar.
Que Saudades!
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