O dia em que o "Ministro" veio me visitar? Não sei ao certo. Mais ou menos no ano de 1972. Estava eu trabalhando em minha mesa no setor de Patrimônio do antigo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, hoje Denit, compenetrada como sempre, em meus afazeres e que eram muitos, pois controlava todo o material útil e inútil pertencentes ao 8º Distrito Rodoviário Federal/SP, junto a Rodovia Presidente Dutra, no Bairro da Vila Maria, onde exercia múltiplas funções: controle de material, nº patrimonial, inventário anual, mapas, balancetes, enfim, todas as funções exercidas por três pessoas: eu, minha amada "chefa" Dna. Ruth de Souza Mascarenhas, com quem aprendi muito, e o chefe geral do Setor Sr. Luiz Bustamonte.<br><br>Naquele dia, o povo estava irrequieto, pessoas entravam e saiam num vai e vem frenético, pois alguém muito importante estava para chegar.<br><br>Eu, pouco estava ligando para o que iria ocorrer ou quem estava para chegar, quando de repente, a porta se abriu e eis que entra uma comitiva, liderada pelo meu antigo "chefe" do Trânsito, de quem eu fora secretária, antes dele assumir a chefia geral no Rio de Janeiro. Era o meu mentor "Dr. Mauro Viveiros" que viera fazer uma visita geral ao Distrito.<br><br>Meu susto foi grande, aliado a minha surpresa, pois logo atrás dele, que carinhosamente me chamava de "portuguesinha", devido a minha descendência, vinha o tão conhecido e querido por todos: o nosso Ministro dos Transportes da época, nada mais, nada menos que o Ministro que mais rodovias construiu e pavimentou em todo o Brasil: Dr. Mário Andreazza, que para minha surpresa e de todos que o esperavam com toda a pompa no Distrito, escolheu conhecer o meu trabalho, que na época, modéstia a parte, era considerado o Setor "Menina dos Olhos" do Distrito.<br><br>Eu era recém formada em Artes Plásticas e com a ajuda de minha "chefa", Dna. Ruth, implantamos um sistema de controle, o mesmo do Citibank, só que bem mais inovador. <br><br>Todos os depósitos, pertencentes as várias residências de São Paulo, eram controlados por cores, o que tornava o nosso arquivo eficiente e aprazível de ser pesquisado, fácil e ao mesmo tempo sofisticado para a época (sem informática).<br><br>Pois bem, aquela comitiva irrompeu sala adentro onde outras pessoas de setores diferentes se amontoavam para ver o "Ministro". Uma voz arrastada e grave do meu querido Dr. Mauro que era do Piauí, proferiu a seguinte frase:
– "Onde está a minha "portuguesinha", eu trouxe o Sr. Ministro para conhecê-la, pois seu serviço já está famoso na Central do Rio de Janeiro.”<br><br>Eu tive vontade de entrar em baixo da mesa, não sabia se me apresentava ou saia correndo, minhas pernas estavam bambas e meu rosto rubro como um pimentão. Minha única reação foi levantar vagarosamente a mão que foi firmemente apertada pela mão daquele homenzarrão (o homem era grande), mas seu olhar era doce, com os olhos verdes. Os mesmos olhos que deu margem para um personagem do Renato Aragão, dos trapalhões (a famosa Severina), que em l980 explanava sua paixão pelos olhos verdes do Dr. Mário Andreazza, então Ministro do Interior. Criatura simpática, cabelos grisalhos e um sorriso amplo, num rosto claro e sereno que passava uma confiança enorme a todos.<br><br>Esse dia foi muito importante para mim. Tornei-me mais segura e confiante na minha capacidade como pessoa e funcionária daquela Autarquia.<br><br><br>E-mail: [email protected]