Na minha juventude fiz a chamada ronda das calçadas do centro da cidade de São Paulo. Andei por toda cidade a procura digamos de emoção. Bailes, bilhares e até mesmo na zona do agrião eu andava.
Os salões de bailes da cidade eram muitos. Tínhamos o Badaró na rua 24 de maio, mas seu nome verdadeiro era salão de baile Belo Horizonte. O Som de Cristal era a mais famosa gafieira de São Paulo.
Lá era o verdadeiro palco do samba, ficava ou ainda fica na rua Bento Freitas. Quem tinha samba nos pés não saia dali. Já o Cartola Clube ficava (ainda fica) na avenida Brigadeiro Luiz Antônio, próximo a avenida Paulista. Era outra casa que dava muito valor ao samba, se bem que tocava também boleros, Fox Trot e outros ritmos centro americanos. O Club Homs, que ficava num casarão, de estilo Art Decaut, da avenida Paulista, era muito requisitado para bailes de formatura, ao final de ano. No mês de março, estava com sua agenda lotada de pedidos para as festas de formandos. Também o Clube Piratininga era requisitado para bailes de formatura. Mas o forte mesmo eram os bailes da terceira idade, os chamados bailes da saudade, popularizado por Morais Sarmento. Na rua Florêncio de Abreu tinha um salão de baile muito popular. O Elite 28. Este salão foi palco de uma das maiores tragédias na cidade de São Paulo. Foi no baile de Santo Antônio, dia 13 de junho de 1953. O salão ficava em cima de uma loja de tecidos, que por volta da meia noite incendiou. O fogo e a fumaça entrou pelo salão causando uma correria desenfreada. A estreita escada de madeira, não agüentou e ruiu, muita gente morreu pisoteada e outros mortos foram os que se atiraram do alto do prédio. Mas o delegado da oitava delegacia foi o sacrificado da historia. Quando ele tentava subir a escada e pedia calma para o povo desesperado, foi enforcado com sua própria gravata. No total 56 mortos se minha memória não estiver falhando. Nos bairros lembro do Vila Sofhia na avenida de Pinedo, bairro do Socorro (Santo Amaro). Até 1947 o cassino Vila Sofhia era uma casa de jogos. Com a proibição do jogo pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, ficou sendo apenas salão de Baile. Era como se dizia jocosamente, "o clube das velhas". Mulheres de uma idade acima dos 50 anos, eximias bailarinas, em que os jovens apostavam em aprender dançar. Depois lá pelas tantas da madrugada, a coisa ficava na base da negociação. Era um tempo em que voltar para casa de madrugada tinha um só problema: a condução, porque violência, nem se pensava. Tinha outras casas de bailes. Por exemplo os Taxi Danças, onde se picotava o cartão que a pessoa recebia na entrada. Mas nos Taxi danças só entrava Homens, porque mulheres, o salão já tinha. Elas eram remuneradas de acordo com a picotagem dos cartões que ela participava. Cada minuto era cobrado um cruzeiro. No caso de tomar uma bebida ao lado de uma das moças para um convite extra, contava-se os minutos de papo, fora o preço da bebida que barato não era. Era o famoso Avenida Danças, que ficava na avenida Ipiranga. Tinha também o Chuá Danças menos famoso que o Avenida. Ali na avenida Ipiranga bem no inicio, tinha o restaurante dançante Atlântico. Ali não se pagava nada alem do que consumia. Os durangos tomavam um refrigerante só para poder dançar com belas mulheres que fingiam não ser do Baz Fond. Se vestiam muito bem e eram bonitas que mais pareciam mulheres da sociedade normal. As demais que iam com os maridos, jamais imaginavam estar ali ao lado de mulheres a procura de programas. Era ali que quem queria, podia se ver, frente a frente com a prostituta mais bonita de São Paulo. Ângela Boneca. Uma linda loira, muito educada que fazia pulsar muitos corações masculinos e rejeitou grandes ofertas para se tornar madame fulana de tal. Ela gostava do que fazia. O de dar momentos de alegria a homens solitários. Infelizmente um jovem doentio por ela, ao ser recusado em ser marido da mais bela mulher da noite paulistana, a matou com um tiro. depois de manter relação com ela e ser rejeitado ao pedido de casamento. Era um jovem de 21 anos filho de fazendeiro de Araraquara. Quem não ficava até mais tarde no baile podia jogar um bilhar e para tanto tinha o Maravilhoso na avenida Ipiranga, onde podia se ver o maior jogador de bilhar de São Paulo. Era Carne Frita. Referencia a todos que jogava uma partida boa ou então dava uma tacada fora de serie. Sempre havia uma forte exclamação. FALA CARNE FRITA !! Saindo do Maravilhoso era só atravessar a Ipiranga e depois atravessar a São João e tomar um chope no BAR BRAHMA. Bons anos vivemos em São Paulo.
Mário Lopomo