Olímpicos Futebol Clube

Nasci na Rua Oscar Porto, no Paraíso, em frente a um campo de futebol. Ali era o campo do Olímpicos, que jogava todo domingo de manhã, com craques de primeira linha. Hoje passa a 23 de Maio. Nos domingos eu não perdia o futebol de jeito nenhum. Nos outros dias era só atravessar a rua, não mais que cinco metros, e eu tinha o maior quintal do mundo só pra mim e amigos. Empinávamos papagaio, jogávamos bolinha de gude, cela, mãe da rua, e lógico que não faltava o futebolzinho.

Meus vizinhos eram os filhos do dono da quitanda, o Paulinho japonês, o Antonio, que hoje é pai do sócio do meu filho, o Jeferson, o Ciro, o Toninho e mais uns dez pelo menos, que não saíam de casa, pois aos sábados meu pai passava filmes do Gordo e o Magro e a lotação era total.

Um pouco mais abaixo, não mais do que cinquenta metros, onde hoje é a IBM, havia uma chácara de um senhor português, da qual nos servíamos quando seu Manoel se distraía.

Aos sábados, o ritual era andar de bicicleta em turma, e achávamos que estávamos rodando o mundo, mas na realidade não rodávamos mais que dois ou três quilômetros, e isto demorava uma eternidade.

Às quartas-feiras à noite íamos a pé da Oscar Porto até o Pacaembu assistir Campeonato Paulista, demorávamos uma hora pra ir e outras duas horas pra voltar, a volta era uma farra, e quando tínhamos um dinheirinho sobrando parávamos no Alaska para um sorvete de uma bola. Economizávamos o $$$ do bonde pra poder comer um saco de pirua na saída do estádio e para o sorvete. Não importava se era jogo de a, b ou c, o importante era ir em turma ver o jogo, na geral. Se bem que quando jogava o São Paulo era muito mais gostoso, pois a maioria era são paulina.

Este foi um período de ouro, que nunca mais saiu da minha cabeça, foram dez/doze anos que não se apagarão jamais.

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