Era 1967, a notícia da morte de Castelo Branco que havia deixado o poder meses antes, estava repercutindo desde a hora do almoço. Seu avião um teco teco tinha sido abalroado por um supersônico dirigido por um cadete da aeronáutica. Discutia-se o choque do super sônico tinha sido ou não de propósito. Naquela bronca de que estávamos com tudo censurado, gente desaparecida, mortas. Eu ainda jovem querendo desabafar, estava no bar do Luiz, na esquina da rua Tabapuã com Bandeira Paulista no Itaim Bibi. Falava um monte de besteira, como por exemplo. Morreu? Dana-se. Antes ele, do que eu. Sem contar palavras de baixo calão num total desrespeito a um ex. presidente da república. Só sei que naquela inflamação, falando um monte de besteira, entrou no bar um cidadão para comprar cigarros e ficou de ouvido antenado no que eu dizia. Olhou-me de cima até em baixo, e eu com o rabo do olho, vi aquela figura interessadíssimo na minha conversa. Quando ele saiu do bar, já na calçada, olhou para o numero do prédio, e entro logo numa casa bem próxima do bar. Pensei esse na certa é do DOPS. Falei um boa noite bem às pressas sem dizer nada a ninguém dei uma tremenda corrida de três quarteirões cheguei na rua Joaquim Floriano e peguei o primeiro ônibus que passava. O que veio, ia para o Rio Pequeno. Não quis nem saber a mãe do guarda. Subi no ônibus e desci na rua Iguatemi. De lá peguei outro buzão e fui parar no meu território. A Vila Olímpia. Meu local seguro, onde até os cachorros me davam guarida. Acho que se tivesse sido preso aquele dia não estaria hoje contando essas historias que por incrível que pareça tem gente que gosta (rssss).