Nasci em 46 e morei por 21 anos em um prédio estilo europeu de 2 andares e pé direito alto com 4 quartos enormes, sendo um privativo que meu avô Hilário Motta vivia e somente um banheiro, sito à rua Dr. Falcão, 143, mesma rua do belo prédio Matarazzo e que hoje é a prefeitura.
Da sacada do nosso apartamento, que foi demolido a pelo menos 20 anos, costumava ficar horas observando o intenso burburinho que a cidade teimava em aumentar dia a dia.
Por várias vezes vi o conde Matarazzo chegar de Cadillac, chapa nº1, dirigido por um "choffeur" negro, altíssimo, de túnica, quepe e luvas brancas. Para mim era o máximo. Quanto a chapas dos carros, naquela ocasião eram seqüenciais e sem letras em razão dos poucos carros existentes na época e evidentemente os primeiros números eram de famílias abastadas da época.
Embaixo do prédio havia uma loja de bolsas e que era filial de outra loja de bolsas que ficava na esquina desta com a José Bonifácio, embaixo do edifício Palácio Riachuelo, ainda existente. Lembro-me também da famosa Tabacaria Braile, onde comprei meus primeiros maços de cigarros.
Mas o ponto alto eram os desfiles militares que ocorriam nas datas de 09 de julho e 07 de setembro. Via de camarote com a rua e todo o vale superlotado e mesmo naquela ocasião com apenas 7 ou 8 anos de idade ficava imaginando até quando haveria comida e água para alimentar tanta gente.
Além dos desfiles militares, também adorava ver e cheguei a participar dos desfiles colegiais e de fanfarras pelo Colégio Oswaldo Cruz da Vila Buarque.
Ficamos hoje por aqui. Em breve terei outras. Parabéns pelo site.