Como a maioria dos cidadãos paulistas, paulistanos e quiçá brasileiros e, principalmente, os santamarenses sabe, a última linha de bonde em São Paulo foi em nosso bairro, em 27 de março de 1968, a linha 101, Camarão, bonde nº 1543, que partiu do Instituto Biológico na Vila Mariana, às 20h, com destino ao Largo Treze de Maio, com uma comitiva de doze bondes, todos lotados pelo povo, sendo que em um deles estava o prefeito, na época Faria Lima, e o governador do Estado de São Paulo: Abreu Sodré, justamente o de nº 1543.
Para tal acontecimento, foi realizada uma grande festa, com a presença de muitas pessoas dos mais diferentes segmentos sociais, como religiosos e políticos, e presença maciça da população.
Interessante saber que na lateral do bonde havia uma faixa longa, onde dizia: “Rendo-me ao progresso – Viva São Paulo!!! – Viva Santo Amaro!!!”. Apesar da saudade, o bonde já estava atravancando o ritmo da cidade, devido a sua lentidão e pouca lotação e limitação de mobilidade, porém sabemos que progresso ou evolução podiam respeitar mais o passado, procurar conviver em harmonia, cada um no seu espaço, que serviria de comparação e respeito a quem iniciou ou foi base para os fatos atuais.
Também para esse evento foi descerrada uma placa de bronze com cerca de 0,5 m² e fixada na parede da Igreja Matriz de Santo Amaro, no Largo Treze de Maio.
Sabemos também que ela ficou ali por muito tempo escondida devido às barracas de marreteiros que ocupavam o espaço no entorno da igreja, desse comércio ilegal. Depois de feita a limpeza desses ambulantes, reparamos que a placa em homenagem a esse evento sumiu, ficando em seu lugar uma marca quadrada, indicando que ali havia a placa comemorativa.
Algum vândalo a surrupiou na calada da noite para vender a troco de míseros centavos e, desrespeitando a história de nosso bairro e de nossa cidade, uma placa de propriedade do povo e da Igreja de Santo Amaro.
Para tanto, sugerimos à sociedade constituída de santamarenses de diversos segmentos cobrar do subprefeito e da pasta de cultura, através do Departamento de Patrimônio Histórico de São Paulo, para a construção de um monumento a esse evento do “Último Bonde”, feito em mural, painel, de concreto e revestido em pedras coloridas nos moldes, aos Romeiros de Santo Amaro a Pirapora, localizado na Casa de Cultura de Santo Amaro e ao de Paulo Eiró, situado em frente ao teatro de mesmo nome, na Av. Adolfo Pinheiro.
Esse monumento seria localizado no Largo Treze de Maio, em um local onde não atrapalharia o trânsito e, melhor ainda, no adro da Igreja Matriz de Santo Amaro e também sem descartar o Largo Bonneville (porque esse nome?), antigo Largo São Sebastião, onde o bonde fazia o retorno nos últimos anos de existência.
Uma obra em perfil de base vertical de aproximadamente 6 m², ou seja, mais ou menos 2 m x 3 m, ou conforme o artista plástico, determinar em função de algumas conveniências. Este novo monumento viria a adicionar o acervo histórico, ao ar livre de nosso bairro, seria mais uma opção de cultura, delineando melhor o eixo histórico de Santo Amaro.
Para isso, nada melhor que contratar o artista plástico santamarense, que podia ser Algacyr da Rocha Ferreira, santamarense renomado, que é a continuação viva de seu mestre Júlio Guerra, ou a algum escultor que os dirigentes políticos indicarem por licitação.