Fui aluna do Instituto de Ciências e Letras, na Brigadeiro Tobias, no centro de São Paulo, lá pelos idos de 1938/39. Hoje esse colégio já não existe mais.
Tínhamos um professor de química que exigia muito dos alunos, pois suas notas eram terríveis. Não passavam de três, numa escala até dez. Nem o melhor aluno conseguia uma boa nota.
Esse professor, Senhor Fernando de oliveira Guena, que Deus o tenha, e que também não explicava nada, certo dia nos passou treze problemas de química para serem resolvidos em casa. No dia da entrega, lógico que a maioria não havia feito o trabalho. Era zero na certa! Minha amiga Leda e eu bolamos então uma estratégia para escapar daquele zero que viria sem piedade. Nos escondemos no banheiro e ali ficamos até todos os alunos entrarem em suas salas de aula. Fomos em seguida para uma sala onde só era permitida entrada para moças. Lá deitei-me no colo da Leda fingindo-me de doente. Leda me cobriu com um casaco pesado para que eu transpirasse bastante e assim parecia realmente muito doente. Senhor Simplício, inspetor de alunos, na sua ronda costumeira nos encontrou ali, eu suando muito e Leda me consolando, "muito preocupada com meu estado de saúde", justificativa para não termos ido para a sala de aula.
Senhor Simplício, muito generoso, foi até a casa dele ali mesmo e pediu que sua mulher fizesse um chá para mim. Esse foi meu castigo. Até hoje não sei que chá era aquele, mas devia ter uns 200 anos, pois o cheiro era de mofo. Tomei a xícara toda e aí que me senti mal mesmo.
Bem, foi melhor aquele chá do que um zero na nota!
Demos boas risadas.
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