Quando mudamos para Sampa na década de 50 fomos morar no Tatuapé, logo no início da Rua Tuiuti. Não existiam as marginais, onde o Rio Tietê na época das cheias formava a sua várzea (uma porção de lagoas ao seu redor). Teve uma delas que apelidaram de Lagoa do Salada sendo famosa pelos tatupeenses, onde o pessoal costumava nadar. A ponte sobre o Rio Tietê era de madeira, sustentada por um cabo de aço na parte superior e por tambores na parte de baixo, onde ela flutuava e balançava, conforme a correnteza. Nesse quarteirão ficava a chácara do Matarazzo, onde hoje é o Parque do Piqueri.<br><br>Nosso acesso ao Clube do Corinthians era feito por trás da chácara através de uma picada, onde íamos assistir aos treinos e jogos do Timão, nos tornando sócios posteriormente. Um título conquistado no meu tempo foi o do Quarto Centenário (400 Anos de Sampa), onde me lembro até hoje de três jogadores que atuaram: Gilmar (goleiro campeão do mundo de 58), Luizinho (pequeno Polegar) e o Baltazar (Cabecinha de ouro). Os jogos naquele tempo resumiam-se no Campeonato Estadual que durava o ano todo. Antes de iniciar o jogo principal (profissional) tinha os juvenis, onde eu e meus amigos acompanhamos o início da carreira do Rivelino (nosso reizinho do parque). Apesar de o Corinthians ser o time que mais conquistou o Campeonato Paulista, ficou por mais de 20 anos (década de 60/70) sem ganhar um título sequer, tornando-se motivo de brincadeiras e gozações dos adversários, onde nos apelidaram de "Faz-me Rir" (nome de uma música da época). <br><br>O outro título que todos os times brasileiros almejam é, sem dúvida, ser o "Campeão da Libertadores", que o habilita no final da temporada a disputar contra os campeões dos outros continentes, para tornar-se o campeão do mundo. O Corinthians ganhou esse título, porém, não foi através do torneio da Libertadores, e sim um torneio montado pela Fifa, em que todos os nossos adversários o acham um "título meia-boca". Quis o destino que esse último jogo da Libertadores fosse contra o Boca para deixar de ser meia-boca e ficar boca inteira. Ufa!<br><br>Enfim, depois de sermos a torcida conhecida como "A Fiel", viramos: “Turma de Loucos" ou "Loucos por ti Corinthians”. Da minha época para os dias de hoje, acho que o futebol virou profissional para mais da conta (como diz o bom baiano). É apaixonante, mas, tanto os times quanto os jogadores prezam muito o dinheiro, estando hoje em um time e amanhã no time adversário como se fosse um leilão, quem dá mais, salvo poucas exceções.<br><br>Bem, continua apaixonante, mas sabemos que a paixão, fanatismo e as torcidas organizadas tiraram toda a beleza e segurança que era ir a um Estádio de Futebol – sentava, levantava, ruía as unhas, abanava a bandeira, xingava o juiz, brincava e até gozava o adversário que estava sentado ao nosso lado, sendo recíproco por ele, e sem briga. “Vai seu perna-de-pau, passe a bola fominha, olha o fulano sozinho, foi pênalti seu juiz”.<br><br>Os Estádios de Futebol de hoje encontram-se nas nossas salas, dentro dos nossos televisores, onde não chove, não faz frio nem calor, mas olha "bem que eu gostaria de estar lá como antigamente para puxar a orelha daquele juiz safardana @#*%+#…”<br><br><br>E-mail: [email protected]