Êxito da persistência

Um grande número de empresas brasileiras que, malgrado ocorrências desfavoráveis lograram bons resultados, sem precisar recorrer a fatores incorretos e com muito e disciplinar esforço pessoal, conseguiram se manter na linha de frente entre as grandes companhias. O destaque que deve merecer nossa apreciação seria as pesadas indústrias que, pela própria posição que ocupam no cenário brasileiro, quase centenárias, algumas delas com suas matrizes em países distantes, não chegam a ofuscar as que aqui começaram, pequenos embriões aparentemente despretensiosos, mas com grandes e confiáveis expectativas, colaboram com a fabulosa explosão do progresso industrial paulista e brasileiro.<br><br>Nos segmentos da imensa variedade de empresas líderes em seus campos de atividades, seja no setor da indústria pesada, nas empresas de vulto internacional, nos grandes agrupamentos com seus tentáculos abrangentes, enfim, tudo o que oferecem de bom ao progresso de nossa cidade, deve-se destacar a indústria alimentícia. E dentro desse segmento quero sublinhar uma empresa que ocupa, com dignidade, uma posição de destaque no campo da alimentação. Em minhas atividades, como representante comercial no ramo de embalagens, propiciou-me contatos bem acentuados com as principais indústrias de alimentação. Estes contatos, inúmeros para minha satisfação, permitiram analisar, com apurada isenção de qualquer outro fator, seu progresso (por força de minha atividade). Nos últimos 50 anos, são várias as empresas que se amoldam nessa apreciação. Poucas vingaram, com a manutenção na direção da linha familiar, no seu desenvolvimento, destacando-se, nesse caso, a indústria de pão Wickbold.<br><br>Há mais ou menos 20 dias atrás recebi um e-mail do Sr. Adalberto Wickbold indagando sobre um comentário que fiz sobre um texto, se o "Modesto Laruccia" em questão era o mesmo que lhe atendia nas vendas de embalagens para seu pão. Confirmei e, acreditem se quiserem, estava já em vias de entrar em contato com o Sr. Adalberto, a fim de poder contar (para vocês) a história fabulosa do progresso dessa empresa. Ao contatá-lo, por meio desse extraordinário recurso que é o "Skype", pude vê-lo e falar-lhe depois de mais de 30 anos. Com a mesma estrutura física, cabelos embranquecidos, ostentando seus 82 anos bem amparados pelo saudável aspecto. Contei a ele sobre minhas primeiras visitas a sua empresa na antiga Av. Central (hoje, Padre Antonio José dos Santos), Brooklin, o que eu lembrava e a minha intenção de produzir esse texto. Aceitou, com sua proverbial simpatia, passar alguns detalhes para enriquecer minha narrativa. Desta vez, a modernidade venceu minha pesquisa, pois o Adalberto informou que o "Google" traz um bom resumo da história da Wickbold. <br><br>Pois bem, mas sem pretensões de querer ser um biógrafo conto apenas alguns lances dessa história, principalmente nas ocasiões em que estive presente. Em 1938, o Sr. Henrique Wickbold, alemão naturalizado brasileiro, compra uma pequena padaria no Brooklin, na Av. Central, Padaria Alemanha. Com sua esposa dona Gertrudes, começa a produzir pães pretos integrais de trigo e de centeio, com a imediata preocupação em atender a colônia alemã, principal consumidora desse tipo de pão. A expansão da empresa, já em andamento, conta com a presença, a partir de 1948, de Adalberto, primogênito do casal, com 18 anos, e visão mais abrangente do que seus pais, inicia o que poderíamos chamar de "explosão" na produção, na qualidade e na distribuição. <br><br>Com um pequeno forno a lenha no começo, logo se preocupa em aumentar a produção com um forno maior, deixa o tradicional e superado sistema de embalar o pão. Recorre ao celofane que foi quando nos conhecemos em 1965, eu no Matarazzo como fornecedor de "cortes" ou folhas de celofane impresso e o Adalberto, com seus funcionários, embalando seus produtos manualmente. A padaria se torna pequena pelo aumento da clientela, quando resolve construir uma nova fábrica, automatizando a produção. <br><br>Assim, em 1973, muda-se para a Av. Jônia. Juntamente com seus filhos e seu irmão, trabalha arduamente suplantando suas previsões de crescimento vertiginoso. Compra, em 1975, a tradicional indústria de pão "Nosso Pão" em Diadema, dando um largo passo para novos empreendimentos e lançamentos, estendendo com suas viaturas por toda São Paulo a distribuição dos pães, já bastante conhecidos. Compra também a Wetphalia, antiga fabricante de pães da mesma linha. Nessa altura passa a utilizar polietileno na embalagem, no lugar do celofane, sem a transparência vítrea, mas bem mais barato. Aí começou a rarear minhas visitas, pois o “poli” não fazia parte da linha de produção da minha representada.<br><br>Em 1996, fundou a Casa Suíça em Itapevi e depois outra em Jandira, para fabricação dos conhecidos bolos suíços e panetones. Hoje, a Wickbold tem quatro fábricas, a primeira em São Paulo, outra em Diadema onde é a matriz, uma no Rio de Janeiro e a última, a maior e mais moderna, em Hortolândia – SP. Uma rede de distribuição nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná e Brasília. Como podemos perfeitamente concluir, uma empresa estritamente familiar, vencendo obstáculos inerentes a todas as atividades que permanecem com esse perfil, engrandecendo e confirmando o êxito da persistência e a nobreza de uma empresa essencialmente paulistana, confirmando seu "slogan": "O dia não começa sem Wickbold".<br><br><br>E-mail: [email protected]