A musiquinha era anunciada no rádio e na TV:
"O primeiro Salão da Criança
a bandinha de música voltou.
O palhaço alegrando a criança,
avisando que a festa começou.
No Ibirapuera, tem competição
Tem prá criançada muita diversão".
Na metade dos anos 60 começaram aquelas exposições organizadas por Caio de Alcântara Machado, que ficaram famosas e aconteciam anualmente. Havia, além do Salão da Criança, o Salão do Automóvel, a Fenit, a UD, a Feira de Mecânica Nacional, entre outras. Eram realizadas em um Pavilhão no Parque Ibirapuera, mas não no da Bienal, que tinha a sua própria finalidade.
Eu tinha 15 anos e estava no Ginásio, morava na Vila Mariana, na rua Madre Cabrini, e fui pela primeira vez ao Salão da Criança com os colegas de escola que moravam no mesmo bairro. Descemos a Sena Madureira a pé, passamos por baixo da ponte por onde circulava o bonde de Santo Amaro e passamos uma tarde inteira nos divertindo no Salão. O ingresso ao Pavilhão era pago, mas lá dentro tudo era grátis. Entrava-se na fila e ganhava-se refris, potinhos com leite e sucrilhos e mais uma monte de coisas. E havia também os brinquedos, igualmente grátis. O mais concorrido era o dos carrinhos elétricos que davam trombada, novidade na época. Ficava-se até 1 hora na fila. Muitos desistiam para não perder as outras atrações. Saímos de lá já tarde da noite e subimos a Sena Madureira de volta para casa, na maior escuridão, principalmente sob a ponte do bonde.
Nos anos seguintes as atrações do Salão passaram a ser cobradas e o meu foco voltou-se para o Salão do Automóvel, onde eu ia ver principalmente os ônibus, busófilo que era e que sou, até hoje.
Mais tarde as Exposições passaram a acontecer no recém inaugurado Parque Anhembi.
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