Restaurante Leão. Lembra?

Alguém se lembra? Na Avenida São João existiam três restaurantes Leão, um deles enorme, bem embaixo do Cine Olido. Era o Leão d'Olido. Os três eram restaurantes comerciais, como se chamava na época. Lugares onde os comerciários, mas não só eles, iam comer no almoço. E comer bem, atendidos por velhos garçons de alta categoria, bem vestidos e muito profissionais, paletó branco e plaquinha com o nome de cada um na lapela. Foi no Leão d'Olido que conheci, apresentadas pelo meu pai, iguarias impossíveis de se encontrar em restaurantes da São Paulo atual: miolos de boi à milanesa e língua de boi com purê de batata, por exemplo. O tempo foi passando, e os restaurantes Leão fechando, um por um. A decadência do Centro, irreversível e causada pelos gênios inventores dos calçadões. Primeiro, os dois menores. Por último, o glorioso e sempre lotado Leão d'Olido. Na última vez que o visitei, oferecia melancolicamente seus pratos em meias porções porque a freguesia empobrecera. Algum tempo depois, o último Leão morria. No imenso espaço, o Mappin montou um refeitório fechado para seus funcionários. Depois, tudo aquilo virou um grande estacionamento subterrâneo sujo, escuro e triste. Parece que ainda hoje é assim. Em compensação, a galeria do Cine Olido foi restaurada e está brilhando. O piso ainda é o mesmo. Pena que não tenha vida como antigamente, apesar das boas intenções. Virou galeria chapa-branca. E o leão que temos hoje é um bicho vil e ameaçador. O leão do imposto de renda.

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