O que a cachaça não faz hein Nencão?

Lá no meu Jaraguá conheci muita gente no meio futebolístico, gente boa, distinta, gente fina mesmo. Perto da minha casa conheci o "Nencão", beque central do time do Jaraguá Paulista, uma vila que fica próxima ao pico do Jaraguá, cujo campo deu lugar à Rodovia dos Bandeirantes.

O nosso Nencão… Uma noite eu saia da minha casa para assistir televisão no bar que pertencia ao seu irmão que tinha o apelido de "Rizoti", quando o Nencão ia saindo da casa da mãe dele,saindo dando uns pulinhos, se aquecendo igual aos jogadores de futebol, quando adentra o campo de jogo, dava uma corridinha aqui e acolá, e eu só observando o "craque" na calçada levando a sério o seu aquecimento. Então eu lhe perguntei:
– “Aí Nencão, tá dando uns treinos aí na calçada, tu tá em forma hein!”.
O Nencão já foi me respondendo:
– “Tenho que treinar forte, fui contratado “pra jogá” na Portuguesa Santista. Já assinei contrato, domingo “nóis” pega o Botafogo lá em Ribeirão Preto, então tem que “treiná” “né”?”.

Eu cheguei ao bar e contei o fato para o pessoal, o Rizoti já foi dizendo:
-“O que a pinga “num faiz”, “mermão” já deve “tê” tomado umas “déiz pinga” por aí, porque aqui “num entrô””.

Dali a pouco chegou o "craque", o pessoal em cima dele pedindo autógrafos, um falatório dos diabos:
– “Eita nóis! Chegou o novo beque central da Portuguesa Santista”.

O nosso amigo vivia de ilusão, não tinha quase nada de intimidade com a bola,os amigos dele acatavam tudo que ele dizia, levavam tudo na esportiva pra magoá-lo, era muito simples, acreditava no pessoal. Ele já partiu desse mundo há muito tempo, a cachaça o driblou.

Descanse em paz "Nencão"

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