O professor paulistano de futebol

Morávamos quando garotos aqui na Parada Petrópolis/Brooklin, defronte ao Clube Banespa, na rua então denominada Manuel de Nóbrega.

Na rua debaixo, que manteve o nome de Joaquim Guarani, moravam os irmãos Rivellino, Abílio e Roberto, sendo que o Abílio ainda reside no prédio próximo à casa de outrora e possui uma Escola de Futebol nas imediações, denominada Rivellino Sport Center.

A família era dona de toda a "baixada", até as margens do Rio Pinheiros e sendo o patriarca do clã o senhor Biagio Rivellino.

Havia na rua mais abaixo, próxima ao córrego e no incipiente Clube Indiano, um campinho de futebol, onde nós, então todos moleques impúberes jogávamos bola.

A diferença de categoria era gritante e os dois Rivellinos não podiam jogar juntos, pois aí era goleada em cima de goleada nos adversários.

A solução salomônica foi separá-los e cada foi jogar em um time para poder equilibrar.

Cabiam a eles formar as equipes.

Agora entra um personagem folclórico, que se intitulava como técnico das duas equipes, seu nome, que ele fazia questão de que o falassem completo era: Maurício Celso de Rezende Simões.

Ele apitava os jogos e dava bronca nos participantes. Marcava faltas e até expulsava, mantendo sempre uma postura séria, como se juiz de verdade fosse.

Mas o que ficou marcante, era quando havia uma jogada errada, ele parava o jogo e orientava como tinha que ser. Beto era um que ele considerava seu pupilo preferido e não se acanhava em orientá-lo: como deveria jogar bola e até como bater faltas e como ter um chute forte usando a perna esquerda.

Beto? Quem era (é)? Seu nome completo: Roberto Rivellino.

Hoje, décadas depois, Maurício, que reside em Santa Catarina e que foi possível nos contatarmos graças ao maravilhoso site saopaulominhacidade.com.br diz todo orgulhoso, para quem quiser ouvir, que quem ensinou o Rivellino a jogar bola foi ele e que o Abílio, irmão do grande astro, por ser teimoso não quis aprender…

Continuamos grandes amigos e nos encontros esporádicos quando vejo os irmãos, vem à baila esse passado e eles sorriem complacentes, pois sabiam que o Maurício era o mais "grosso" da turma, razão pela qual era o que apitava os jogos.

Mas ninguém tira da cabeça do Maurício Celso de Rezende Simões que ele foi o
Grande Mestre…

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