O primeiro dia do ano em nossa casa era muito engraçado, parecia um teatro de comedia.
No Natal minha “mamma” fazia canja de galinha, peru, tudo com aves. Já no ano novo era cabrito, coelho… Era proibido comer aves, porque rastejava para trás, e a gente não ia para frente. Tínhamos que comer lentilha e granada. Para ficarmos “ricos” devíamos comer três grãos de romã e guardar os caroços no bolso ate o ano seguinte.
Tínhamos que comer três colheres de lentilha, eu odiava, mas queria ficar rica e por isso comia.
Para dar sorte, as moças colocavam as roupas intimas cor de rosa. Como era uma casa de bons italianos se dançava muito era tarantela. Os vizinhos ficavam todos na rua esperando o ano chegar, as moças usavam vestidos brancos rodados, comuns á época e os rapazes usavam camisas e sapatos brancos e pretos, brancos e marrons.
Como de costume, trocávamos os pratos tradicionais das raças: bolinho de bacalhau, crispele, rabanada.
Quando dava meia noite os pratos eram quebrados, guardávamos apenas os que íamos utilizar e atirávamos o restante no chão para que as coisas ruins fossem embora e as boas viessem com os pratos novos.
Era muita alegria, saia até namoro, noivado e casamento. Não havia queima de fogos, o barulho era de pratos quebrados mesmo.
“Dedico questa hitoria per mio babo per la mia mama e tutti nostri amici dove state dio te benedica”.
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