Nascemos em uma fazenda em Pongaí – interior -, onde convivíamos com animais de criação: cavalos, bois, galinhas, cabritos etc.
Minha mãe tinha um papagaio tagarela, cujo nome era "Louro".
Na década de 50, ainda menininhos, nos mudamos para São Paulo, na região do Brooklin/Clube Banespa e o trouxemos junto com o nosso cachorro de estimação, onde nossos pais se estabeleceram adquirindo um "Comércio e Residência" ao mesmo tempo.
O Louro era o xodó de minha querida mãe, que, acredito, tratava dele melhor que a nós, seus filhos, e a meu pai, seu marido.
Esse Louro tinha um lugar de honra em nossa cozinha, pois a mesma era enorme. Tinha o seu poleiro onde dormia e fazia suas refeições.
O danado falava e gritava quase o dia inteiro. Ao amanhecer, ao invés de acordarmos com o cantar do galo, se na fazenda ainda morássemos, despertávamos com a gritaria infernal que ele fazia e meu pai bradando:
– Aracy (minha mãe), dê um jeito nessa praga, pois não há cristão que durma sossegado e ainda é cedo.
Nosso pai tinha todo o nosso apoio…
Minha mãe nem tomava conhecimento…
O Louro era dado a falar palavrões também, o que nos propiciava divertimentos, pois não havia como não rir.
Pois bem, certa tarde, minha mãe fez um "chá" para as amigas dela, e se reuniram na mesa da cozinha/sala. As visitas ficaram encantadas com o papagaio e era um tal de "Dá o pé, Louro" e minha mãe toda sorridente…
De repente, ele começou a gritar e falar:
– Filha da p…. Filha da p…
Minha mãe parecia um pimentão vermelho de tão envergonhada que ficou e nós caíamos na risada e meu pai foi ver o que acontecia e não pode conter um sorriso de satisfação ao saber o que houve, e disse, na surdina para nós: “Bem feito!”.
A partir daquele dia, o Louro mudou de "casa" e foi "morar" num abrigo no fundo do quintal…
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