O nosso Cacique Caiubi

Muito tenho dito e escrito sobre o nosso Itaim do Bibi, mas essas terras varzeanas guardam em seus fluídos a ação de grandes personagens da história, porque não? Da nossa Terra Brasilis.<br>Um deles é o chefe Caiubi, irmão de Tibiriçá e Piquerobi.<br>Conta-se que "distribuídos por todo o território do futuro Campo de Piratininga, os indígenas tinham como referência das mais importantes os agrupamentos Inhapuambuçu, liderado por Tibiriçá; Ururaí, sob a chefia de Piquerobi e Jeribatiba, do chefe Caiubi".<br>Tibiriçá, significando vigilante da terra, é o mais conhecido dos três. Converteu-se ao catolicismo, sendo batizado pelos padres Leonardo Nunes e José de Anchieta. Recebeu como nome cristão o de Martim Afonso, dado em homenagem ao fundador de São Vicente. Teve vida longa e seus restos mortais encontram-se na Cripta da Catedral da Sé. Teve muitos filhos, com a índia Potira teve Ará, Pirijá, Aratá, Toruí e Bartira. Esta última se casou com João Ramalho. O cacique se destacou na fundação e defesa de São Paulo. Conta-se que levantando a bandeira e uma espada de pau pintada e enfeitada de diversas cores, repeliu com bravura o ataque à vila de São Paulo. Tornou-se o senhor todo poderoso de vasta área nas proximidades da atual Avenida Tiradentes.<br>Já Piquerobi (peixinho verde, em tupi), morava na serra Ururaí, mais ao norte da futura cidade de São Paulo. Consta que antes morou na Vila de São Vicente/SP. Rebelou-se contra os portugueses, chefiando junto com os guaianases, carijós e tamoios os ataques a São Paulo. <br>Outro que se destacou como inimigo nessa batalha foi o filho de Piquerobi, o nervoso Jagoanharo, "Cão Bravo", morto quando tentava forçar a porta da igreja do pátio do Colégio, naquele momento cheia de mulheres refugiadas. O interessante é que foi uma filha do mesmo Piquerobi, com nome cristão de Antonia Rodrigues, por ter se casado com Antonio Rodrigues, um dos primeiros povoadores de São Vicente, que liderou as mulheres índias, na defesa à igreja, vencendo os atacantes e parentes.<br>O terceiro dos irmãos, o Caiubi, fora batizado com o nome de João, auxiliando Tibiriçá na tarefa de criar a futura São Paulo. O cacique, um dos primeiros itahyenses – por assim dizer -, fora batizado com o nome de João, auxiliando Tibiriçá na tarefa de criar a futura São Paulo, além de exercer domínio sobre as tribos das terras da Serra do Paranapiacaba e o litoral. Abandonou suas terras em 1554 para morar ao lado dos jesuítas em Tabataguera (Tabatinguera), reinando às margens do Jeribatiba (Jurubatuba).<br>Foi ele que cedeu alguns dos seus guerreiros para formar vários aldeamentos em toda a extensão desse rio afluente do Tietê, incluindo-se o aldeamento Itaí na margem direita do Jurubatuba (Pinheiros), quando da formação do Sítio dos Pinheiros, em 1560, essa aldeia indígena estava localizada justamente onde hoje são as terras da Casa Bandeirista.<br>Esses índios foram estrategicamente colocados em uma elevação de onde não só avistava-se o curso do rio Jurubatuba, mas também dos seus afluentes próximos, tendo apenas um dificultoso caminho ou trilha de terra que transpunha vários córregos. O rio é agora o canal dos Pinheiros e tinha uma das suas grandes curvas onde hoje estão as proximidades das Ruas Salvador Cardoso e final da Tabapuã.<br>Esse caminho, por terra, ia desde Santo Amaro até o Sítio dos Pinheiros Era a trilha dos aventureiros, dos viajantes, depois dos tropeiros e no decorrer dos séculos, passou a ser chamado também de Caminho ou Estrada das Boiadas. Para que se tenha uma idéia da importância desse trajeto, só aqui nas terras itahyenses percorria desde onde temos hoje a Rua Clodomiro Amazonas, (ex-Rua da Ponte), ligando-se continuadamente ao atual traçado da Rua Iguatemi e Avenida Brigadeiro Faria Lima. Não havia a atual Rua Tabapuã.<br>Existiu uma outra pequena trilha transversal que partia do final do Caminho do Caagaçú, (Avenida Brigadeiro Luiz Antônio – Avenida Santo Amaro – ainda vou contar essa história), passando pelo aldeamento, ela era usada apenas pelos mais conhecidos e amigos. Vinha das terras do Ibirapuera (não confundir com o Caminho do Ibirapuera), sempre ladeando a margem direita de um córrego, depois chamado de Córrego do Sapateiro, curvando-se logo abaixo do aldeamento. Esse caminho, nos tempos do Couto de Magalhães, passou a se chamar Caminho dos Aliados, depois Rua do Porto e agora leva o nome de Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, homenageando o nosso Bibi.<br><br>e-mail do autor: [email protected]