Algumas coisas assumem uma dimensão que na verdade não tinham ao serem pensadas por seus criadores e que são incorporadas ao folclore com uma força tal que fica quase impossível desmentir, desmistificar.
Alguns exemplos: já ouvi várias definições tentando explicar porque os norte-americanos se referem às telenovelas – e às praticamente extintas radionovelas também – como óperas de sabão. Os experts dizem sempre que o motivo é porque os primeiros patrocinadores eram fabricantes de sabonetes. Bom, até onde eu sei, o motivo é simplesmente porque telenovelas passam como bolhas de sabão. Enquanto está no ar, todo mundo vê; passou, ninguém mais lembra.
Assim aconteceu também com o Principal locutor esportivo brasileiro dos últimos tempos: Osmar Santos.
Quando Osmar – considerado o locutor de São Paulo por excelência – criou a expressão "animal do jogo", não se referia ao jogador do Palmeiras, mas ao melhor do jogo, qualquer que fosse ele. Terminada a partida, ele perguntava aos demais profissionais: "Quem foi o animal do jogo?" Eles respondiam dando sua opinião. Com o tempo, o jogador do Palmeiras incorporou o apelido mais por suas ações fora de campo do que dentro, mas isso é outra história. Dentro de campo, inicialmente, a idéia não era homenageá-lo – se é que pode ser considerada uma homenagem – mas a quem se destacasse no jogo.
A música "Balada nº 7" é outro caso. Moacyr Franco fez a música para o Julinho, camisa 07 do Palmeiras, mas o público entendeu que era para o Garrincha. Moacyr cansou de desmentir e acabou desistindo.