O importante é que a nossa emoção sobreviva

Esta frase está na música "Mordaça", de Eduardo Gudim e Paulo César Pinheiro. Também deu nome a um disco e show dos dois com a cantora Márcia. A música foi feita em 1974, na época da ditadura, quando a emoção surgia da luta e da revolta. Mas essa frase pode servir para qualquer época e para qualquer pessoa na busca de sua emoção e de intensidade para a sua vida.
Pois a emoção sobrevivia e transbordava na gente em alguns shows que pudemos presenciar em bar memoráveis de São Paulo, como: Boca da Noite, Vou Vivendo, dos que conheci e posso citar. Esses dois não existem mais. Certamente muitos outros foram criados em Sampa para manter a emoção, como os da Vila Madalena, Pompéia e outros bairros, mas não há como deixar de sentir saudades do Boca, onde vi Paulo César Pinheiro, cantando, contando, declamando – fui dois dias seguidos ver o show e ainda comprei o livro de poesias dele. Lá também conheci a cantora Maria Martha, esposa do dono do Bar, cujo nome agora não me lembro. Divina. Ficou conhecida pela gravação da música Flor Amorosa que tocou na novela global "Nina", mas a cantora sempre preferiu cantar nos bares de Sampa, nos Sescs, escolhendo com amor seu repertório, sem chegar ao grande estrelato.
No "Vou vivendo", que um amigo meu chamava, por engano, de "Vou Levando" vi shows alternativos excelentes e tive a honra de ver e ouvir o grande João Nogueira, além de outros nomes. Shows excelentes sempre existiram e existem (embora meio caros na maioria), mas nos bares eles vinham acompanhados da cumplicidade e da proximidade com o artista, naquele clima de meia-luz e a vibração das pessoas percorrendo as pequenas mesas abarrotadas de emoção.
Que viva sempre a noite, a boêmia, apesar das dificuldades da cidade grande nos dias de hoje, mas depende também de nós deixar que sobreviva emoção e a música é nossa grande aliada nesta empreitada.
Imagino quantos outros bares e quantos outros shows do mesmo calibre se lembrarão as pessoas.

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