Ele era forte, decidido nas brigas, não media esforços para acabar de uma vez com o adversário. Esse era o seu estilo. Ou tudo ou nada. Coisa mais difícil era sair derrotado. Nunca menosprezou seu oponente, mas também zelava como ninguém por aquilo que tinha aprendido com o seu pai e o com seu tio, mestres incontestáveis da técnica e disciplina.
Nascido na periferia da capital, de pais de origem italiana, possuía aquele inconfundível sotaque paulistano, meio cantado, meio arrastado, que lembrava bem os moradores do Brás e Moóca. Gostava como ninguém de bater papo e tinha sempre no semblante um sorriso, e quando falava algo engraçado, expressava-o com sincopadas gargalhadas.
Amigável e generoso, nunca se esqueceu sua origem modesta, e mesmo já famoso e rico, morando num bairro nobre da capital, jamais esqueceu o seu Parque Peruche, o seu torrão natal. Para lá voltava regularmente visitar parentes e amigos. E foi numa dessas ocasiões que ficamos bem próximos, numa quitanda, onde ele fazia compra de frutas. De semblante tranquilo e sorridente, despediu-se e tomou o seu carrão, que só poucos naquela década de 60, podiam possuir.
Quando me expresso no passado, não quero dizer que ele se foi, muito pelo contrário, graças a Deus está bem vivo, e recentemente foi alvo de muitas homenagens. Mais do que merecidas. Hei de lembrar sempre do Eder Zumbano Jofre, uma figura admirável pelo forte caráter de espírito e desportividade.
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