Nossas aparências

Por que gosto do São Paulo Minha Cidade? Por causa do jeito paulistano de promover suas vendas nas casas comerciais, o mercado público da Cantareira, dos restaurantes e lanchonetes, pizzarias, e shoppings centers.<br><br>Sinto gosto pela maneira como essas casas arrumam o seu estoque convidativo para compras.<br><br>Há casas, vendinhas de fruta que têm um jeito próprio de arrumar as frutas expostas nos balcões: ficam tão arrumadinhas que dá gosto de comprar. Será atração por consumo unicamente? Talvez. Mas quando você conhece o jeito de preparar e servir daquela Lanchonete, da Xavier de Toledo, seus sanduíches de pernil, o churrasquinho para viagem torna o prazer inesquecível.<br><br>Caminhar pelas vias movimentadas com um pouco de saudade e com olhar da cidade antiga, dos anos 70, que maravilha.<br><br>Lembrar das galerias onde a oferta de discos em vinil era extensa. Das casas e das lojas de roupas da cidade, onde podia se comprar a prazo, escolher aquelas roupas e calças da moda, boca de sino, apertadas na cintura.<br><br>Sempre gostei de me vestir bem, não necessariamente com roupas de grife. Até aquelas calças que mandávamos fazer nas Alfaiatarias. Claro, era preciso prová-las para que o alfaiate ou a costureira desse o toque final.<br><br>Quando prontas, e bem passadas a ferro, com aquelas calças de nycron, tecido da época, ficávamos um deslumbre de chiques. Isso é um pouco da vaidade masculina. Sempre que nos arrumávamos, tínhamos um gosto especial de desfilar, o que ajudava a nossa auto-estima. Isso que valorizo é para contrastar com o período de "vacas magras" em que passamos em nossa meninice, cujo vestiário era bem escasso.<br><br>Em geral, usávamos as roupas dos irmãos mais velhos. Quanto aos sapatos, muitos já escreveram sobre isso. A dificuldade que tínhamos de ter sapatos novos, fazia com que os nossos fossem usados “até a última lona” como dizíamos.<br><br>Se remontar mais ainda aos velhos tempos, os antigos andavam descalços e, quando próximos do destino, lavavam os pés num riacho e calçavam os sapatos; mas esse hábito, um pouco "sovina", não é do meu tempo.<br><br>Posso, então, sintetizar esse meu texto para recordar e valorizar os produtos fabricados em nossa época, não tão distante, para dizer que nosso vestiário era muito bem apreciado, não só dos meninos, mas também das meninas que, para andarem na moda ou arrumadas, deviam ser muito criativas.<br><br>Do resultado dessa fusão de classes, certamente nasceu muita união e hoje se constituem numerosas famílias para enlevo nosso.<br><br>Reconheço que divaguei um pouco falando do hábito paulistano de "mostrar", pois, assim, inspirei-me para lhes falar de nossos hábitos e costumes de vestir.<br><br>Tomara que a história seja publicada, assim, ficará registrado o nosso rico modo de nos vestir e que intitularei de "nossas aparências".<br><br>E-mail: [email protected]