O esporte mais querido

Francisco Lemi Filho, de propósito ficou intrigado com o texto Futebol Brasileiro de nossa autoria e também outros saopaulinos. Vou falar-lhe a verdade. Aprecio muito o esporte da bola, o futebol profissional, futebol de campo e minha vida inteira foi marcada pela pelota a ponto de me considerar um jogador "frustrado".
Em 1958, estudava no Ginásio Michel de religiosas franciscanas e fui escalado por elas para recitar uma poesia (não sou muito chegado) cujo tema se reportava à conquista da Copa do Mundo de 1958. Me apresentei no teatro com o texto devidamente decorado e trajado a rigor: chuteiras, meias, calção e camiseta alusiva ao primeiro título mundial conquistado por nós na Suécia.
Lembro-me de um jogador do São Paulo integrante daquela seleção, o De Sordi, e não era titular. Para quem duvidar da minha exibição no Teatro Mampituba, aliás, um Clube, tenho a foto na época com meus 12 anos de idade. Para homenagear o Brasil e o título brasileiro conquistado pela 1ª vez, foi prestada, no intervalo de uma peça teatral que os "atores" do Colégio apresentavam. Desculpem a falta de modéstia, presunção, mas participava do "set" de "artistas" do colégio tendo participado também de outras peças importantes no teatro no Cine Milanez com a casa cheia. Sinceramente eu imaginava que me tornaria um artista da tela ou do teatro, pois começara minha carreira muito jovem. Nesta época colecionamos álbuns de figurinhas e um deles era sobre os artistas de cinema, ainda hoje lembro deles que estão na minha memória: Gregory Peck, Kirk Douglas, Terence Stemp, Dirg Bogard, Sofia Loren, Gina Lolobrigida, Candice Bergeim. Todos aqueles artistas célebres, inclusive alguns brasileiros. José Lewgoy, Anselmo Duarte, Oscarito, Grande Otelo, Jece Valadão… Isto fazia parte dos meus planos e conhecer estes artistas era um treino que já fazia parte dos planos para "amanhã", já ter o hábito do estrelato. Ruiu como um castelo de areia, no entanto, a carreira no cinema ainda desperta atração em tantos de nossos jovens. O sonho, se possível era mesmo pessoal, e normalíssimo. Sonhar faz bem. Porém no meu caso foi somente isto, um sonho, pois se tem o discernimento para saber o que é e o que não é possível acontecer.
Mas meu propósito era lhes falar da carreira futebolista que almejava. Como demonstrava boas habilidades com a bola, e confesso que me considerava um bom jogador, como já afirmei aqui algumas vezes e repito, tinha a vez em qualquer time que disputasse uma vaga. Na minha cabeça é claro. Em meu pensamento fazia parte do time de titulares, ainda que as vezes me deixassem na reserva; achava bom este exercício, para não ser exaltado e vaidoso. Espero também que não me tomem como presunçoso e convencido. Não iria gostar. Estava no meu direito de pensar e a minha confiança me dizia que teria minha vez em qualquer dos times que atuasse. Havia esforço, preparo, companheirismo, a técnica apurada e me sentir à vontade atuando pelo escrete ou selecionado que nos convocassem. É, portanto, com toda a convicção que lhes escrevo sobre o futebol, a bola, os gols, os passes milimétricos, os cabeceios, chutes fortes, cobertura na defesa e no combate, categorias e estilos clássicos. Só se vive e se fala o que se conhece. Conquistei meus espações no futebol amador e falo isto com orgulho. Toda a autoridade que exponho de executor da função me faz mostrar "arrojado" no desempenho e achando-me um entendido no assunto, proponho demonstrar conhecimento e mesmo que seja contestado, o que é natural, digo-lhes que em matéria de futebol entendo um pouquinho. E por ter tido este privilégio de ver o melhor time do mundo atuar, no caso o Santos FC de Mengálvio, Zito, Mauro, Gilmar, Dorval, Pagão, Pepe, Coutinho etc., posso afirmar que o time era bom de fato. Evidentemente que os nossos adversários, grandes times do futebol brasileiro, como Vasco, Botafogo, Fluminense, Palmeiras, Corinthians, Cruzeiro, Guarani, Atlético Mineiro, Internacional, Grêmio, Bahia, Sport… são times de futebol que merecem todo o nosso respeito. E para provar que não é com o São Paulo unicamente que quero fazer minhas comparações, neste momento vou comparar o Santos com a Portuguesa de Desportos. Grandes jogos e tantos outros times inferiores, mas que valorizavam as vitórias adversárias. Quem não se lembra do Denner, do Hélio, do Pinga, do Djalma Santos… O que quero mesmo nesta conversa é dizer-lhes que o futebol do passado era um futebol de arte, de grandes jogadas, de estilo de categoria.

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