O dia em que o sonho acabou

O tempo passa… E como passa… O trem da vida segue sem parar, ora lento, ora em marcha acelerada, mas não para… Assim são os nossos anos de vida…

Há momentos que parecem estáticos, como quando somos crianças. O tempo estaciona e demora a passar, talvez, premido pela ânsia de logo querer sermos adultos.

O ano eu não me recordo, mas foi lá pelo fim da década de 50 ou início da década de 60. Morávamos aqui na região de Santo Amaro, mais precisamente na chamada Parada Petrópolis-Brooklin.

Era uma tarde de final de outono, céu azul, temperatura amena e ventos brandos… E da janela do casarão que residia, ansioso, aguardava a passagem de minha paixão platônica. Cabelos loiros, olhos claros e tez alvíssima como a neve. Lá vinha ela como se uma princesa fosse. Altiva, elegante, semblante sereno e passos lépidos que à escola as levava. Ao seu lado o irmão que junto estudava, cujo destino era o ginásio estadual que no Brooklin ficava.

Tão logo passavam, lépido a escada descia e atrás dos mesmos ia, observando-a…

Seu nome em minha memória ainda guardo e jamais vou esquecê-lo até o fim de minha jornada terrena.

Uma noite, fim das aulas, chuvisco caindo, eis que ela se aproxima e pergunta:
– “Cideme, posso ir com você? Pois não trouxe guarda chuva e meu irmão faltou hoje?”.

Parecia que um anjo tinha dito meu nome. Como ela sabia? Nas nuvens estava, pedi licença e meu braço em seu ombro pousou e assim fomos, a casa dela a levei. Chegamos:
– “Obrigada!” – disse-me com um sorriso encantador e um beijinho no rosto recebi.

Nessa noite não dormi… E se dormi foi com um sorriso nos lábios. Mas tudo passa, o amanhecer chega… O despertador toca… Que belo sonho eu tive…

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