O Wady Cury chegou em São Paulo na década de 40, logo depois da II Guerra. Didi, como era conhecido na 25 de março, bom de prosa e de lápis, foi morar em uma pensão da Rua Santo Amaro. Sobrevivia como vendedor pracista de roupa de cama, mesa e banho. Logo cedo era possível vê-lo nas imediações da Rua São Caetano, ou na José Paulino, visitando a freguesia. O almoço era na 25, com muita conversa, muitos "causos" da Franca do Imperador. De tardinha, quase sempre só, encostava no balcão da Salada Paulista, pedia um guaraná, um croquete que cobria com mostarda escura e desenhava, à lápis "cópia", no mármore branco do balcão, lindas mulheres. Pagava simplesmente a conta, já que não tinha para a caixinha. Mas, ao sair, alguém que gostava dos desenhos, balançava um guardanapo, gritava: "caixinha!" e a turma respondia: "obrigado!" Fim do dia, lá ia o Didi a pé até a Rua Santo Amaro, com pressa, para não perder o jantar.