Nos idos e inesquecíveis anos 1950, aqui no Brooklin/Petrópolis, num campinho gramado, onde a garotada jogava bola, onde começou o clube Indiano, que hoje está lá para os lados da Represa Guarapiranga e o clube Kosmos, que desapareceu no passar dos anos, surgiu um garotinho que veio a ser mais tarde o tricampeão Rivelino, um dos grandes craques do futebol brasileiro e que ficou conhecido no México como “A patada atômica”, tal a potência de seu chute de esquerda. Recordo-me de quando jogávamos, numa tarde de verão, o time do Roberto contra o do Abílio, que é o seu irmão um pouco mais velho. Os dois eram os que escolhiam os jogadores, pois o Roberto e o Abílio não podiam jogar juntos, pois era briga na certa entre ambos, já que um não passava a bola para o outro. Certo dia o Roberto (Beto) deu um chute de longa distância e pegou na cabeça do Maurício, que caiu desacordado. Roberto desesperado, chorava sem parar, dizendo: “matei o Maurício, matei o Maurício…” Felizmente nada de grave aconteceu. Lembro-me de alguns nomes da turminha daquele tempo: Nestor, Tuti, Cai-Cai, Pedro Bianchini, Milton Alemão, Maurício, João Cabelo de Fogo, Nelson etc. Mas o quero contar é o seguinte: o Roberto, por ser mais sério e compenetrado, levou o seu talento para o Corinthians, apesar de ser palmeirense. O Abílio, que era ranheta e brigão, nunca levou o futebol a sério. Pois bem, qualquer garoto da época, ou melhor, todos, inclusive aqueles que assistiam às peladas, são unânimes em apontar que o Abílio, se tivesse levado também o seu talento a frente, seria um dos grandes e maiores craques, inclusive maior que o próprio irmão.
e-mail do autor: [email protected]