O cinema, os filmes e as esfihas

Nossa! Falar de Sampa é muito fácil quando você é um paulistano da gema, pois desde as primeiras horas do seu nascimento tudo já começa a girar.<br><br>Digo isso principalmente aos nascidos no final da década de 50 como eu, portanto falo com os cinquentões de plantão. <br><br>Sempre digo aos amigos que nós, cinquentões de Sampa, somos os privilegiados, pois considero que tudo de melhor aconteceu nas 3 décadas seguintes: A infância vivida na década de 60, a adolescência nos anos 70 e os primeiros namoros nos anos 80. <br><br>Crianças que brincaram com tudo que não tinha controle remoto, bola de gude, peão na rua de terra batida, pipas feitas em casa (e o cerol naquele período não matava ninguém), balões chinesinhos que soltávamos e corríamos para pegar na outra esquina, esconde-esconde, manda-rua, manda-lata, álbuns de figurinhas dos “Reis do Ringue”, astros da TV; jogos de botão, autoramas e banco imobiliário quando éramos convidados (só os amigos "ricos" tinham um), carrinhos de rolimã (quantos dedos machucados, quantas pernas raladas!)… Era isso, brincadeiras de criança!<br><br>Na década de 70 frequentávamos grandes cinemas, as excursões e também não perdíamos os bailinhos de lona. Os cinemas eram nos bairros paulistanos, até me arrisco a lembrar de alguns: o Penharama, o Júpiter, o São Geraldo (c/ pulgas) no bairro da Penha, o Cine São Jorge (Tatuapé) e os grandes cinemas do centro de Sampa, como o Bristol, o Malibú, o Ipiranga e o Comodoro, esse ultimo localizado na Avenida São João.<br><br>O engraçado nessa história é que, nos cinemas da época, se pagava uma entrada e a assistia duas sessões, com direito a um intervalo para comprar "drops", "dadinhos", "mentol" e as pipocas (pequenas) entre um filme e outro.<br><br>A gente chegava ao cinema um pouco mais cedo para comprar os ingressos e a filas tomavam as calçadas. O melhor de tudo é que ninguém era assaltado.<br><br>O único mal dos filmes exibidos naquele período era que, na nossa inocência, sempre torcíamos pelos homens brancos e ficávamos contra os índios.<br><br>Após o cinema, nós passávamos na pastelaria do “Chinês” para atacar as "esfihas de carne", deliciosas e com bastante pimenta..<br><br>Bom isso acabou com o tempo e não sei dizer se foi algo bom ou ruim, visto que os antigos cinemas hoje não sobreviveriam com tantos assaltos.<br><br>Hoje as salas de cinemas deram lugar às "igrejas", aos cultos, às assembléias. <br><br>Quanto aos bailinhos… Muitas musicas boas, se ouvia Rock (Pink Floyd, Led Zeppelin, Deep Purple, Rolling Stones, Janis Joplin, Hendrix, e especialmente Creedence Clearwater Revival), Black Music (sem playback. sem sintonizadores, tudo na raça), e as baladas românticas (quando dançávamos "juntos" meninos e meninas, de rostos coladinhos com direito ao beijinho na orelhas. Músicas como Skyline Pigeon, Easy, Music and Me, Rock Roll Lullaby, Alone Again, e muitas outras). <br><br>Enfim tudo isso acabou. Restaram apenas as saudades eternas e a certeza de que nós, cinqüentões, vivemos bem as nossas vidas.<br><br>Obrigado Sampa querida!<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>