Na cidade de São Paulo existia um meio de transporte que era muito usado: "o bonde", que andava pelos trilhos.
Tinha o bonde aberto menor, com quatro rodas, o maior, com oito rodas, e o bonde fechado, de oito rodas. Eles foram implantados pela Light (1900 – 1947) como bondes elétricos, pois na parte superior tinha um cabo que se encostava aos fios e faziam o mesmo andar. A exploração era feita pela CMTC – Companhia Municipal de Transporte Coletivos (1947 – 1968).
Quem dirigia era o motorneiro, por meio de uma manivela que movimentava e fazia o mesmo andar. Tinha uma placa que dizia: "O motorneiro cuidadoso não conversa em serviço". O cobrador (a maioria portugueses) recebia as passagens por meio de um passe da cor amarela, que era vendido antecipadamente, ou em dinheiro. Poderíamos dizer que ele era um malabarista do estribo, pois levava dinheiro na mão e moedas e passes no bolso, e dizia assim: “um pra Light e dois pra mim”, para acusar o recebimento da passagem na cordinha de controle.
No bonde aberto, a entrada era feita pelos dois lados, pelos estribos esquerdo e direito. A lotação do mesmo comportava passageiros sentados e passageiros que iam nos estribos. O único problema era quando chovia, pois apesar de ter umas cortinas de lona que baixava e protegia, ainda tinha alguns respingos e dificilmente ia gente nos estribos, apesar de que, na época, eram muito usadas capas de chuva, galochas e guarda-chuva.
Lembro-me de um aviso que tinha que era o seguinte: "Cuidado sempre: prevenir acidentes é dever de todos. Espere o carro parar". Porque tinha passageiros que pulavam do bonde andando.
O bonde fechado era apelidado de camarão, por ser da cor vermelha. Os passageiros iam sentados e os que ficavam em pé se seguravam em uma proteção por meio de um cabo. Esse era um meio transporte que nem o trem, só que mais lento.
Foi uma pena terem extinguido esse meio de transporte, que na época era muito popular e gostoso de ser transportado. O último bonde a circular foi o de Santo Amaro, em março de 1968.
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