O bairro Santana e a família Carnevale

Toda minha família sempre foi de Santana das ruas próximas a Voluntários da Pátria como: Gabriel Piza, Darzan, Dr. Cezar, Zuquim e etc. É contada através dos mais antigos as histórias de como começou tudo e como era naquele tempo.

Os Carnevales eram imigrantes Italianos da Calábria, meus bisavós, que vieram para o Brasil e depois outras famílias de primos Capuanos e outras, também foram vindo. Meu Bisavô era Luigi Carnevale, ele acendia os lampiões do bairro, pois não tinha ainda energia elétrica.

Antigamente todas as pessoas do bairro eram conhecidas pelo sobrenome.
Existia muita união e carisma entre as pessoas, tanto na saúde quanto na doença. Minha avó Mafalda Carnevale, assim como suas irmãs Yolanda, Helena e Druzziana eram costureiras.

Estas tias mais as outras irmãs delas a Elisa e Margarida Carnevale Sto. Stazo ajudavam na manutenção e limpeza da igreja de Santana. Lavavam as toalhas e batinas dos padres e quando necessário também costurava.

Minha mãe conta que antigamente as pessoas não tinham posses, mas quando chegava o natal toda à família passava na casa de outras famílias vizinhas com uma lembrancinha e cantando. Quando ia embora aquela família retribuía indo na casa da mesma.

Todas as pessoas conheciam os Carnevales e descendentes. Minhas tias até poucos anos atrás viveram na casa da Rua Gabriel Piza 541, rua da feira de quarta. E até hoje os amigos de minha mãe e meus de infância lembram deste tempo que passou de geração para geração. E a maioria dos seus descendentes continuam morando na zona norte, e cada um deles tem uma história para contar.

Hoje estamos na quarta geração indo para quinta. As casas antigas que deveriam ser mantidas como patrimônios históricos estão sumindo, e as que ainda existem estão mal conservadas. Faço um apelo às pessoas para não modernizarem as casas, mas conservarem esta riqueza, que será raridade no futuro próximo, para que todos se orgulhem do nosso bairro e da nossa cidade.

E-mail do autor: [email protected]