Estávamos na década de 60, nos famosos bailinhos, depois conhecidos: "Baile do Mela Cueca", este narrado, ocorrido na Rua Azevedo Junior, no cortiço onde residia o Zé Maria, técnico do Leão do Brás F.C.
Nesses bailinhos, era comum, se houvesse interesse do casal, dançar de rostos colados. Esse gesto dava ao casal um ar mais envolvente e carinhoso. Os rostos se colavam lado a lado, ou seja, o lado direito do rosto do cavalheiro colava no lado esquerdo do rosto da dama. A posição dos braços era também muito importante, o cavalheiro abraçava a dama com o braço direito na altura de sua cintura, enquanto que sua mão esquerda segurava a mão direita da dama, mantendo o seu braço e o dela em posição dobrada na altura do ombro.
Devemos ressaltar que a posição da mão esquerda do cavalheiro e da mão direita da dama, de conformidade com o grau de envolvimento do casal e do ritmo que estava sendo dançado, poderia variar com os braços estirados para trás, ou então com ambos os braços dele enlaçando a cintura da dama e ambos os braços dela enlaçando o cavalheiro na altura da nuca, onde, em posição normal, apenas o braço direito dela estaria repousado. Ao cavalheiro cabia ao ato, com o braço direito ou ambos, rodear a cintura da dama, promover o maior ou menor arrocho, um abraço impetuoso. A dama, por sua vez, também dependendo do grau de interesse e envolvimento, com sua mão direita, acariciava a nuca do parceiro, aumentando a sensualidade da dança.
Foi o que fez Tânia, mocinha recatada da Rua Caetano Pinto. Empolgada, com seu penteado armado, em forma de "panetone", repleto de laquê; vestido "saco", meias de seda, perfume de alfazema estonteante e seios exuberantes, bem maiores do que se apresentavam no cotidiano.
Iniciou-se a dança: "Je t'aime moi non plus" era a música tocada na vitrola. Os dois começam a se apertar, ele aspirando o perfume do pescoço alfazemado não percebia os olhares maliciosos dos outros pares. Tânia suava na testa, e quanto mais quente ficava mais apertava o tronco dele contra seus peitos. Terminou a dança, separam-se e ela se mantém no meio do salão, ainda zonza. Todos os pares no meio da pista de dança iniciam a rir. Dos cones que até então abrigavam seus seios só havia um, o direito, o outro havia se inserido. Tânia, ruborizada, com um leve toque, o polegar e o indicador na extremidade do seio esquerdo, fez com que ele voltasse à posição inicial.
Todos ficaram penalizados. As damas, solidárias com o choro compulsivo de Tânia, que veio em seguida, mas não lhe pouparam o novo apelido: "Tânia Teta Mucha".
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